LUIZ GERALDO MAZZA
Um extrapartidário
Alberto Youssef é alguém que está acima de ideologias e doutrinas não apenas por vocação, mas, sobretudo, por necessidade imperiosa do seu trabalho, útil a qualquer facção e empresa em operações obscuras, ligado que está à lavagem de dinheiro.
Sua atuação vai do centrista Jaime Lerner aos supostos esquerdistas do PT: presente em dois escândalos, que o situacionismo atual enquadraria à direita, como o chuncho Copel-Olvepar, que deu indiciamento de secretários, de deputados e conselheiros do Tribunal de Contas, e o maior de todos, a trama bilionária do caso Banestado-CC5. Não impressiona que o PT se tenha ligado a seus serviços na Petrobras e em ministérios como o da Saúde.
Também notória a presença do doleiro nos casos de Londrina que levaram Antonio Belinati à cassação com as turbulências do AMA-Comurb.
Só falta, diante de tais evidências, o lulopetismo vir com o argumento de que essas operações são comuns e se há pecado, como sugeriu André Vargas, é venial, nada mais. É por isso que se torna impraticável falar em ética na política em clima tão carregado de pragmatismo e em que o ceticismo caminha para o deboche e o cinismo.
A corrupção, à direita ou à esquerda, não se justifica no caráter sagrado e abrangente da causa, mesmo quando se lhe empresta um suposto sentido de revolução. Não se confunde com o roubo da urna, pelos guerilheiros, de Adhemar de Barros; os atos de "expropriação" estão sendo praticados dentro do Estado, máquina do bem comum e da partilha para a busca da igualdade na concepção histórica e nas promessas dos beneficiários do poder.
Vai dar pra tudo?
Há todas as condições para o destravamento, geral e irrestrito, da verbas de interesse paranaense e contidas por argumentos tecnoburocráticos. Mesmo que se chegue ao total geral de R$ 4 bi, mais ou menos 10% do orçamento, teremos só um "respiro" dado o acúmulo de dívidas existentes. Além do mais agiu certo o governo quando pleiteou o aval da União para baixar os juros. Ocorre que esse suposto "maná bíblico" é, antes de tudo, empréstimo que precisa ser pago como o saneamento do Banestado e a capitalização do BRDE na parte concernente ao Paraná, outra expressão da crise, já que gaúchos e catarinenses cumpriram a sua parte e o Banco Central deu prazo para essa complementação.
Não é concebível seriedade com mais de 30 secretarias e seu consulado respectivo de aspones com fome pantagruélica de espaços e edifícios. Inviável fazer qualquer coisa em ambiente tumultuário, mesmo quando se faz encenações ridículas como as do contrato de gestão teatralizado por Beto Richa tanto quando na prefeitura como no governo estadual.
Essa liberação de recursos deverá ser rigorosamente paga em prazos acertados e com esse volume de compromissos a programação é também impossível pelo menos na cultura atual.
Chantagem
Chantagem em cima dos candidatos petistas de São Paulo e Paraná é arma que André Vargas poderá empregar para tentar safar-se das acusações e petistas pisam em ovos para tratar do tema. Estão como criança que se borrou tal qual no andamento do mensalão. André programou o seu retorno à Câmara Federal logo depois da Semana Santa. Em Londrina pode ser malhado como "judas" no sábado antes da Páscoa.
Folclore
Hoje há uma espécie de BBB Brasil em operação e em Cascavel, para bajular o governador, passando-se por professores, dois assessores da prefeitura foram flagrados, com faixas dizendo-se gratos a Beto Richa por seus feitos na educação e foram denunciados pelo Núcleo da APP. A laranjice no governo é a sua própria cara.
Menos autocrítico em relação a si mesmo, mas permanentemente cítrico.





