LUIZ GERALDO MAZZA
Um blefe no pôquer
Vai ficando, cada vez mais engraçado, o enredo da novela dos empréstimos, agora com a notícia da liberação dos R$ 817 milhões pela STN, no caso mais específico de discriminação descoberto tardiamente pelo governo estadual: segundo as primeiras notícias, Arno Augustin teria comunicado a Gleisi que a grana estava saindo. Ora, se houve esse contato, cresce a suspeita de que a dupla, isso por presunção, é que amarrava o processo, conforme a visão tortuosa de Beto Richa e seus seguidores.
Os dois lados querem faturar o feito na verdade de Procuradoria Geral do Estado no flanco próprio, pois esse foi o órgão que mais se empenhou inclusive quando Josélia Nogueira tocou a pasta fazendária. Esse anúncio precede a liberação de outros recursos bloqueados em virtude dos dispêndios com pessoal, mas depende de assinatura do aval pedido pelo governo estadual justamente para reduzir os juros.
Nada disso apaga a realidade afrontosa da crise fiscal nunca ocorrida a não ser no segundo governo Lupion que atrasou até salários de barnabés, algo impensável em temporada eleitoral mesmo com Copa do Mundo pelo meio. Só em Londrina dez obras importantes, inclusive a duplicação da PR-445, estavam com repasses atrasados desde novembro. O dinheiro do Proinvest é carimbado para obras de infraestrutura quando há muitas em ritmo lento justamente por falta de exação nos pagamentos, embora nas protegidas pelo pedágio as coisas andem com melhor ritmo, sabe lá com que tipo de reciprocidade sempre desconhecida.
Blefe coletivo
Ainda que estejamos sujeitos a essa lenga-lenga na campanha eleitoral, o que a tornaria inócua como as anteriores, recheadas de saques superficiais sem qualquer debate a respeito de problemas concretos de hoje e de amanhã, viu-se que tanto um lado como o outro se enredaram nas contradições com afirmações evasivas. Não há como em jogo de pôquer todos blefando ao mesmo tempo.
O que há de concreto é o seguinte: por várias ocasiões houve o alerta de que as duas infrações eram cometidas em lesão à Lei de Responsabilidade Fiscal e isso já vinha de exercícios anteriores. Impensável que isso ocorresse em governos como os de Ney Braga até o de Hosken de Novaes com a existência de um modelo de gestão financeira e aquele ritmo de obras (hidrelétricas, estradas de ferro e de rodagem, telecomunicações) exigente em investimentos. Essa necessidade de recursos obrigava as cautelas há tantos governos dispensada.
Saque desmontado
Tanto o candidato presidencial, senador Aécio Neves, como o postulante à reeleição no Paraná, Beto Richa, falam em modelo de gestão para contrapor-se às desditas do lulo-petismo. O governador paranaense, desde a Prefeitura de Curitiba, falava no tal "contrato de gestão" para apurar metas dos vários setores. Na Capital a loucura de obras múltiplas inacabadas foi um dos fatores da derrota de Luciano Ducci e no governo há o sufoco financeira e a sequela das obras interrompidas e até abandonadas.
Pois agora uma decisão do Supremo Tribunal Federal desmantela o tal choque de gestão tantas vezes referido por Aécio Neves: 100 mil funcionários nomeados, irregularmente, em 2006, em Minas Gerais, sem concurso, serão obrigados a fazê-lo e os que não passarem acabarão demitidos. Dá para imaginar o efeito eleitoral de uma pancada dessas, o que mostra que decisões dos tribunais podem ter influência no processo eleitoral e de forma contundente e isso na nacional como naquelas de traço regional. Um avanço nas investigações dos cartéis de trens e metrôs de São Paulo alcançando figuras como a de Mario Covas ou ainda novidades em processos quase paralisados como os das mortes dos prefeitos de Santo André e de Campinas. Enfim isso lembra a bolsa de Pandora que aberta pode liberar benefícios e todos os males do mundo.





