Empate e símbolos
Essa estória da liberação dos empréstimos está num empate, inclusive agora com o governo estadual ameaçando de prisão o secretário do Tesouro Nacional e este reafirmando a inadimplência do Paraná nos investimentos em saúde. Curiosa a impaciência no encontro do deputado Luiz Carlos Hauly que até outro dia era secretário da Fazenda e sabe o que foi a luta homérica para pagar as três folhas do funcionalismo em novembro-dezembro do ano passado, prova visível do descalabro reafirmada em suspensão de obras e mais de R$ 1 bi de atrasos em dívidas de pronto pagamento.
Entre seringueiros, como se viu em documentário do Globo Rural de anos passados, é comum quando peões tentam ocupar as suas terras para a pecuária na declaração de "empate", feita ritualisticamente como encenação de auto popular. O seringueiro se aproxima do peão e declara o "empate" (a sustação da obra, ato de embaraçar um negócio, encontrar obstáculos, esbarrar, no jogo de xadrez chegar a uma posição em que é impossível dar um xeque-mate, tudo em acordo com o Aurélio) e o outro replica que está ali a trabalho e não pretende afetar o sustento de ninguém e assim por diante, algo bem parecido com esse choque tecnoburocrático e também político entre os governos estadual e federal. Como é notória a destruição do modelo de gestão financeira do Paraná, que ganha solidez com Ney Braga e passa à crise nos governos do PMDB e PSDB, frutos da mesma origem, Beto Richa tenta valer-se do impasse para fugir dessa responsabilidade e jogar o ônus na União e é claro na sua adversária Gleisi Hoffmann que agia na Casa Civil.
Agora renova recursos no STF e pede a prisão de Arno Augustin, inevitável tom de dramaticidade, já que nenhum dos lados quer a disputa por pênaltis. O pior é que será o tema-base (haja falta de inspiração) na campanha eleitoral.

Exemplo
Brandon Granzoti, entregador de jornais, achou na rua uma carteira com R$ 3 mil e se dispõe a devolvê-la ao seu legítimo desde que ele descreva o porta-notas. É um exemplo generoso. Dentre as estórias de Curitiba há a de um cara que achou um "chuveiro", anel de grau, e foi a um jornal e a entregou para que a joia fosse devolvida ao dono. O cidadão, meio iluminado com o feito, até porque ganhou notoriedade, saindo do seu anonimato, andava pelas ruas sorridente, como autor de uma ação incomum, até que passou por um reduto tradicional da rua XV e cumprimentou os componentes da roda como se buscasse fraternidade. Aí um virou para outro e perguntou de quem se tratava.
– Não sei bem, mas parece que está envolvido num negócio de um anel de grau.
Muitos dão o caso como a ligeireza de juízos de certos curitibocas.

Atrasados
O deputado Felipe Lucas, do PPS-Irati, alega que teve prejuízo em 15 meses em que a cadeira foi ocupada por Alceu Maron Filho, indevidamente, como a justiça o demonstrou, e quer os atrasados. Talvez esteja se valendo da jurisprudência do Fabio Camargo no Tribunal de Contas. Ele no passado teve sorte na "escolinha" de Requião ganhando um ônibus em sorteio.

Previsão
Empresas de ônibus de Belo Horizonte acordaram com autoridades a redução de 2 mil km dia de viagens para ajustar custos às tarifas. Há quem preveja que se dará o mesmo em Curitiba muito antes do que se possa imaginar.

Folclore
Se saírem mais greves na Arena da Baixada e o governo agir como agora pondo mais R$ 6 milhões no empreendimento certamente a Fifa não precisará ameaçar com chutes no traseiro porque isso é bem mais eficiente.

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