LUIZ GERALDO MAZZA
Perdemos a timidez
Já havíamos dado um sinal, na gestão Lerner, de que havíamos perdido a timidez: aparecíamos com destaque em operações fraudulentas no Banestado, aquelas da CC5 que levaram de roldão um banco regional, e agora novamente com o desempenho do mesmo agente, o doleiro Youssef, nas peripécias do deputado André Vargas, afinal detectadas na Lava Jato da Polícia Federal. Obviamente um especialista em lavagem de dinheiro e que permeia vários dos escândalos da terra, inclusive nos de Londrina do AMA-Comurb, que levaram Belinati ao cadafalso, daí porque servindo a correntes ideológicas e doutrinárias distintas, tal o seu distanciamento brechtiano desses pudores em nome do pragmatismo.
Pois ontem foi instaurado o procedimento contra Vargas no Conselho de Ética da Câmara Federal, o que pode significar o prólogo do epílogo dessa novela constrangedora até pelo fato de os petistas, tapando o nariz para não sentir os miasmas, em número expressivo, desejarem, o quanto antes, a sua renúncia para que o partido não pague o pato, tal qual advertiu Lula, como já paga pelos rolos da Petrobras.
Esse protagonismo surpreendente derruba o mito de que somos desligados e que nem aparecíamos em destaque em manobras sinistras, tal a nossa passividade. No lado supostamente positivo continuamos com três ministros e cuja atuação ainda foi questionada no encontro com o secretário do Tesouro Nacional sobre essa novela, já meio chata, do bloqueio aos empréstimos e investimentos no Paraná.
Ânimo
A concessão de liminar em favor de Fabio Camargo animou os defensores de Maurício Requião de Mello e Silva até hoje subjudice no STF e criou algum constrangimento para os açodados que não se intimidam em tentar forçar as coisas como se dava com o presidente Valdir Rossoni que além de moralista tenta bancar o machão pretendendo a prisão de Arno Augustin, secretário do Tesouro Nacional, esquecendo que o nosso Legislativo não é lá um exemplo de cautela com decisões judiciais.
Creche
Por falar em Fabio Camargo, ele ontem protagonizou no Tribunal de Contas algo bem no gosto do melodrama das massas: adiantou que vai usar os atrasados, de todo o tempo que ficou afastado, como se isso fosse favas contadas, para uma doação à associação dos servidores da Casa na construção de uma creche aos seus filhos.
Divergência
Não é pequena a divergência de interpretações sobre os rigores da LRF, Lei de Responsabilidade Fiscal. Normalmente, quando aumentam as demandas por reajuste salarial de servidores, o primeiro alerta que o governador e seu secretário de Fazenda fazem é o de que o limite prudencial com gastos de pessoal foram amplamente superados. Mas justamente os dois agentes que mais cometem erros nessa direção falam numa lei que descumprem. E mesmo com a advertência saem os aumentos, isso sem falar no geral de maio, data-base, como se fará, outra vez, dentro de um mês. Não concedê-los em ano eleitoral seria austeridade demais para o nosso cortejamento servil à grita dos aflitos barnabés.
Daí a perda de energia no confronto de ontem em Brasília que mostrou o óbvio de que os dois lados dissimulam com retórica um assunto de natureza técnica.
Folclore
Um importante servidor da Receita Federal, escalado para servir na cidade de Paranaguá, chega no Porto D. Pedro II de navio. Sua mão é cheia de calos e está à procura de alguém para movimentar as suas malas quando um estivador, que está ao lado, faz a observação bem ao estilo da terra: quem vai afinal ajudar o mão-de-gengibre?
Revolta
Pedreiros às centenas da Arena da Baixada fecharam em protesto as ruas Getúlio Vargas e Cel Dulcídio porque não recebem salários há 40 dias. É a Copa esquecendo da cozinha, como sempre.





