LUIZ GERALDO MAZZA
Devagar, deputados
Mais uma lição ao açodamento parlamentar na liminar concedida em favor de Fabio Camargo pelo ministro Gilmar Mendes do STF: não esperaram a decisão da mais alta corte do País sobre o pleito de Maurício Requião, ainda sub judice, e escolheram Ivan Bonilha, indicado pelo governador, e agora já se preparavam para aprontar outra na mesma linha. Há ainda no episódio Camargo presunção de que os Três Poderes de Estado articularam a escolha com a montagem do Caixa Único e mais o acesso a depósitos judiciais e isso deu margem a investigação de advocacia administrativa e tráfico de influência, sob análise tanto do STJ como do CNJ. É claro que o Legislativo tentou com mais essa manobra uma queima (ou seria lavagem?) de arquivo, porque ao reprisar a praxe da subserviência quebrou a cara, e quando pretendia festejar a retirada de Fabio Camargo eis que algo mais importante que um fantasma retorna, o apoiado e posteriormente, por uma conveniência, rejeitado, que deu margem a toda questão. Momento portanto de captar a crise de caráter - e isso permanente - dos nossos políticos.
Agora só falta elegerem um outro ou ratificarem o escolhido e de repente pintar uma decisão do STF devolvendo Maurício Requião ao seu posto. Chega a ser risível, mas tem uma certa medida de trágico-bufo em tudo isso.
Aconselha-se que não se precipitem outra vez em suas demandas para não serem punidos, exemplarmente, por atos de "justiça poética".
PT, classificações
Certa ocasião tentei classificar vários PTs, desde os do moralismo militante que pareciam uma UDN da esquerda, aquele que mantinha e desdenhou compromissos com a revolução (há um pouco disso na rejeição em assinar a Carta de 1988) e o socialismo que abjurou nos seus textos, ao pragmático que aí está. Há portanto um PTcostal, que faz do ideário uma religião; há também, um PTentação, e ainda um PT (barra pesada) PTcântropus erectus. Em qual deles estaria enquadrado o nosso deputado André Vargas?
Licença
Antes que o enquadrassem por desvio ético, dada a repercussão provocada por suas ações junto ao doleiro Youssef e aberto tráfico de influência, o deputado André Vargas, vice-presidente da Câmara Federal, decidiu licenciar-se por dois meses, embora não renunciando ao seu posto, para tentar assentar a poeira. Mas o que temos não é poeira, mas algo como fogo-fátuo, aquele que no mato, gerado por gás metano, persegue a quem se desloca, o temível boitatá.
Vergonha
A cada momento um flagrante da crise financeira estadual como o caso revelado pelo Sinclapol de presos que ficaram todo fim de semana rendidos num caminhão por não haver espaço nas delegacias superlotadas.
Desmanche
O processo de desmanche de nossas áreas de excelência se acentuou de Lerner para cá e continua fortemente na gestão atual: detonamos o modelo de gestão fiscal centrado numa articulação entre as secretarias de Fazenda e a de Planejamento. E agora botam em ameaça uma das reservas de conhecimento, o Centro de Hidráulica do Paraná, um dos fundamentos copelianos (seus modelos correm o mundo) precipitado por um erro de Lerner no empenho da privatização ao passar a instituição, de reconhecida expressão científica, para o Lactec, hoje também outro referencial de decadência. O centro, criado por Parigot de Souza, era obrigatoriamente entregue a quadros da área. Era, não é mais.
Folclore
Se o STF devolver Maurício Requião ao Tribunal de Contas poderemos ter uma situação como a da CBF às voltas com uma decisão judicial favorecendo a Portuguesa de Desportos: refazer as tabelas com 21 times e o coletivo do TC com um ou dois a mais acima do quórum legal. A liminar em favor de Fabio Camargo torna isso bastante possível. Superlotação no serviço público é o normal; nas cadeias, também.





