Queima de arquivo
Há uma forma higiênica e pasteurizada de queimar arquivo, como essa solução, via decreto, da anulação parcial do ato que escolheu Fabio Camargo para o Tribunal de Contas. Embora na medida se permitiria novamente a candidatura do conselheiro vetado em decisão liminar e sem exame do mérito e com isso se afastaria, também parcialmente, toda aquela presunção, em análise simultânea no CNJ, Conselho Nacional de Justiça, e Superior Tribunal de Justiça, cujo resultado é ainda desconhecido, de possível advocacia administrativa, tráfico de influência, naquela escolha decorrente das ações polarizadas pelo presidente do TJ, Clayton Camargo, pai do interessado, que facilitou o Caixa Único e o acesso do governo aos depósitos judiciais.
Trata-se de manobra substitutiva com mais jeito de lavagem de arquivo. Há mais: a escolha de Ivan Bonilha se deu sem o aguardo de decisão do STF em torno da postulação de Maurício Requião, acolhida e formalizada no Legislativo, e agora se pretende algo bem parecido, o que mostra que o pragmatismo do Tribunal de Contas não está nem aí para aparências e formalidades.

Unidade cultural
Muito se faz pela unidade cultural (distante da física obtida no decurso do neysmo e precedida de feitos como o da Estrada do Cerne de Manoel Ribas), quando Londrina e Curitiba fazem emulação em torno da música e do teatro com seus respectivos festivais, e mais diretamente quando ocorre um fato excepcional como esse da decisão do futebol entre clubes do norte. Tanto o Maringá como o Londrina (e este já na temporada passada foi o melhor em pontos corridos) reuniram méritos para se sobreporem aos adversários. Diz-se, como sugeriu Nelson Rodrigues, que o escrete nacional é a pátria em chuteiras e nada mais unificador, regionalmente, do que esse pega do futebol, capaz de bater, nas duas partidas, todos os recordes de público. Essa vibração é que une e agrega, e tanto que nos sentimos imantados na mesma energia.

Graciosa
Até a Copa é possível que esteja, ainda que de forma temporária, reaberta a estrada da Graciosa, um alvo excepcional do turismo. O deslizamento havido (e já tivemos outros mais devastadores no passado) cortou a ligação de forma irremediável e gerou obviamente problemas sérios notadamente para o pequeno comércio no Parque do Marumbi mormente em São João da Graciosa.

Modismos
Marqueteiros nem sempre emplacam propostas que a sociedade deva aceitar: algumas estão aí como a mudança do nome de bairros curitibanos, como os casos do Ecoville que tentou substituir o Cotolengo e Champagnat ao Bigorrilho e agora no modismo, pior ainda, do Batel Soho e Cabral Soho. Urge lembrar aos alegres criadores que muitos desses saques, que fazem sucesso temporário em vendas, acabam se mostrando deletérios como aquele anúncio do cigarro Vila Rica pelo meio campo Gerson e que destacava que fazia a escolha para levar vantagem. A boa intenção nas vendas quebrou a cara nos fundamentos morais. A imagem do Gerson, por causa da incorporação simbólica, foi fortemente prejudicada. Malhar é preciso, mas um pouco de cautela deontológica vai bem.

Folclore
O mais desapegado dos governantes que tivemos foi José Hosken de Novais: chegava ao cúmulo, como testemunhei, de levar às costas e a pé as compras do supermercado, dispensando o veículo. Esse despojamento e essa frugalidade surpreendiam a todos porque a regra é exatamente o contrário em termos de mordomias e sinais do poder. Uma ocasião resumiu essa postura com uma frase cortante sobre como se achava na condição de vice-governador: "Devo recolher-me à minha insignificância". Teve outro mérito, por respeito visceral à democracia: o da neutralidade na campanha eleitoral.

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