LUIZ GERALDO MAZZA
Uruca demais
Essa do André Vargas, vice presidente da Câmara Federal, ser amigo do doleiro Youssef há mais de vinte anos, e desconhecer sua conduta criminosa, ainda que rotineira, é como se tivesse sido companheiro de escola do Barba Ruiva e não soubesse que se tratava de um assassino emblemático. Como se já não bastasse o ciclo inclinado do governo Dilma Rousseff que derrubou em mais de 50% o valor patrimonial das estatais, os presos no Paraná como Paulo Roberto Costa, um dos enrolados em chunchos da Petrobras e mais o ex-prefeito de Realeza Eduardo Gaievski, acusado de abusar sexualmentre de mais de 30 menores em situação de risco, geram extremo prejuízo à candidatura de Gleisi Hoffmann, o que dá a impressão de que nem o fato de ser uma das apostas do PT nacional ao lado dos casos de São Paulo e Minas com ex-ministros candidatos a governos estaduais acaba compensando tanta perda.
Se a sequência de episódios aziagos continuar nessa escalada terá prejuízo irremediável em sua postulação mesmo que detone a acusação tucana, mais do que leviana, de que é a causa de todo o drama financeiro do Paraná gerado por gestão temerária como todos sabem e visível nos pequenos detalhes da vida cotidiana. E também nesse olho de pedir pão, da retórica parnanguara, do governo estadual na sua expressão melodramática próxima da mendicância.
Convenhamos que algo mais do que um descarrego, banho lustral em água gelada da serra, é necessário para conter a onda negativa petista.
Não recua
Empresários do transporte coletivo deixaram claro que não concordam com qualquer alteração do valor da tarifa técnica, apesar de mediação recente do Ministério Público no sentido de reduzi-la. Ontem foi afastada a hipótese de greve de motoristas e cobradores com o compromisso das empresas em respeitar o acordo trabalhista.
Reforma
Na suposta reforma administrativa, em função da desincompatibilização, apenas mais um drama paranaense: a precariedade de quadros. Uma lipoaspiração, além de necessária e indicar uma inclinação à austeridade, reduzindo de forma drástica o número de secretarias, seria a saída. Tentar dar relevância às mudanças é a essência da mediocridade política atual quando se repete o expediente de diretores gerais substituírem os titulares.
Pressões
Entre o fermento social de ontem manifestações de indígenas e lavradores. Nos próximos dias teremos as dos barnabés.
Bueno
Revolta nos meios culturais com a absolvição do matador do escritor Wilson Bueno. Há confiança na apelação.
Folclore
Depois dessa passagem do André Vargas com o doleiro Youssef deu para lembrar daquele seu gesto olímpico de gladiador, imitando os mensaleiros encanados, diante do presidente do STF. Papelão duplo; o último, pior ainda.
Mãos
Depois de pleitear uma Comissão de Investigação para apurar a mão invisível que segura os empréstimos e avais do Paraná na União, talvez convencido de que a mão é visível e está no próprio governo, Romanelli optou pela solução mais civilizada de convocar formalmente Arno Augustin Filho, secretário do Tesouro Nacional, o que se tentará pelos meios regulamentares. Proposta mais razoável veio de Elton Welter, PT, o de uma comissão parlamentar, ser recebida em Brasília pelo secretário do Tesouro Nacional, que a acatou, e para a qual obviamente estará convidado o Luiz Claudio Romanelli.





