O vizinho cordial
O Tribunal de Contas deu mais uma tacada em seu ativismo ao determinar agora o cancelamento do último repasse às obras da Arena da Baixada pela Carteira de Fomento. Se o fez é porque havia motivos suficientes de razões técnicas, como agiu assim também na intervenção ocorrida na auditagem do transporte público da Capital.
É de esperar-se, com fundadas razões, que ao manifestar-se sobre as finanças estaduais o faça com um mínimo de rigor e sem as mesuras tradicionais ao tratar do seu vizinho, o Palácio Iguaçu. Ocorre que órgãos federais como a STN, Secretaria do Tesouro Nacional, aplicam um "mata leão" no governo paranaense por força das repetidas infringências da Lei de Responsabilidade Fiscal na questão dos gastos com pessoal - e seria chocante que houvesse tanto rigor à distância por entes federados de Brasília e aqui nada ocorresse com o vizinho, tão distante da Arena da Baixada.
É verdade que tanto a STN quanto o TC têm os seus específicos raios de autonomia e que precisam ser preservados, mas nada justificaria que visões técnicas do mesmo problema tivessem leituras tão discordantes. É visível a quadra de desequilíbrio fiscal na crise interna (até racionamento na comida dos cães da Polícia Militar, isso sem falar em dívidas de pronto pagamento da ordem de R$ 1,1 bilhão) e seria inaceitável que tantas distorções não constassem das observações da Corte, ainda mais depois da auditagem na Urbs e no transporte coletivo de Curitiba e no bloqueio aos repasses à Arena da Baixada pela Carteira de Fomento.

Horror
A dimensão canibal do Brasil não está apenas na pesquisa do Ipea, aquela que revelou que 65% dos entrevistados entendem como válido um ataque a mulher que use roupas ousadas. Dos mais de 3 mil pesquisados, 65% deles eram mulheres, o que torna o diagnóstico mais chocante porque boa parte desse universo deve aliar-se à visão condenatória. Em Quatro Barras, região metropolitana da Capital, mãe de uma menina de quatro anos matou-a por haver feito xixi na cama e a criança era vítima de abuso sexual por parte de um tio. Mundo cão.

Concórdia
Aparente concórdia no subsídio ao transporte coletivo até agosto: tarifa técnica é de R$ 3,18, mas a passagem continua no mesmo valor. O governo vai ter que licitar as linhas metropolitanas. E Fruet pede aos tribunais (o de Contas e o de Justiça) que decidam de uma vez se a licitação do sistema foi legal ao tempo de Beto Richa na prefeitura e do procurador Ivan Bonilha.

Bloqueio
O fechamento de uma estrada federal como a BR-277, imediações da Renault, por quatro horas (a despeito do direito de manifestação) é leniência exagerada. Aliás o direito de minorias nesses casos se sobrepõe ao das maiorias. Um menino expulso da sala em colégio tacou fogo no ônibus escolar. É reação típica da atualidade. Só falta afagar a cabeça do mini-incendiário.

Retaliação
A oposição festejava a queda do Ibope de Dilma e a CPI da Petrobras quando o outro lado reagiu com um pedido aditivo de apuração dos chunchos do metrô e dos trens de São Paulo mais irregularidades no porto de Suape para atingir o candidato do PSB. Em meio a tanta fantasia a realidade se torna grotesca.

Folclore
Na Copa de 1950 vi o jogo Espanha-Estados Unidos de cima de um trem no pátio de manobras atrás do Durival de Brito. Tudo ia bem até o momento em que o maquinista movimentava o vagão: aí nos lançávamos ao chão com temor inclusive de que nos levassem para os túneis depois de Roça Nova.

Segurança
Assalto a dizimistas da Igreja dos Passarinhos não deveria provocar choque: afinal a própria polícia, alegando falta de segurança, não atende boletins de ocorrência depois das 20 horas.

Pressa
Magistrados pedem urgência no pagamento do auxílio moradia e pressionam o TJ, que alega falta de orçamento.

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