Vexame programado
Pelo andamento das obras tanto nos estádios e em seu entorno como nas intervenções de mobilidade urbana há tudo para um vexame. Linha Verde e a Avenida das Torres brecam o fluxo do tráfego. Nem a proximidade do aniversário da Capital, hoje, foi suficiente para lubrificar a burocracia e a impressão dominante é a de que em cima dos jogos a situação estará ainda mais dramática.
Lamentável é que só agora, depois daquele oba oba que se seguiu à sediação da Copa, estejamos enxergando o lado negativo de tudo e inclusive na exposição nada louvável da nossa engenharia que responde por atrasos calamitosos como os do desalinhamento das estações-tubo, o andamento tortuoso da Linha Verde e das obras nos terminais de transporte como o de Santa Cândida isso sem falar na situação novelesca da Rodoferroviária, ponto de estrangulamento da circulação na Capital.
Como o ano é eleitoral, perdem pontos Beto Richa e Gustavo Fruet.

Documentação
Como o governo escolhe o palco e o tema para debate eleitoral a oposição só resta organizar-se minimamente e uma de suas tarefas será levantar, e isso de forma documentada, a procedência dos fatores de bloqueios aos empréstimos tão reclamados e na perspectiva odiosa da discriminação. E aí o debate é tão técnico que a retórica não prevalecerá. Uma das ações do PT será mostrar que não há diferença de tratamento entre governos estaduais. A STN, Secretaria do Tesouro Nacional, é órgão estamental tanto quanto a Receita Federal nas suas atribuições e ela faz o monitoramento de todas as unidades federativas em função de agravos à Lei de Responsabilidade Fiscal bem como a infração a convênios estabelecidos.

Ativismo
O Tribunal de Contas entrou num ativismo excepcional seja nas manifestações sobre dispêndios da Copa (inversões na Arena da Baixada) e mais recentemente na auditagem do sistema de transporte coletivo. Prevê-se em função disso uma postura mais crítica em relação ao problema fiscal, mais do que visível, do governo Beto Richa, censurado por vários órgãos federais.
É verdade que o TC detectou absurdos como o do não cumprimento de dispositivos constitucionais nos gastos com saúde e já fez alertamento graves sobre a ultrapassagem dos marcos regulatórios em dispêndios com pessoal.

Segurança
A polícia se queixa da falta de segurança e isso inclusive estabelece restrições de horários para boletins de ocorrência. Depois das 20 horas a Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos não está atendendo em função da superlotação das celas. Se eles não têm segurança, imaginem nós?

Redescoberta
A Prefeitura de Curitiba redescobriu a temática das calçadas e promete uma ação vigorosa e ímpar no setor. Velha cicatriz da cidade, a calçada é fator de ampla discussão e de pouca solução. O argumento imperial de que ela é de responsabilidade do proprietário (e que cabe unicamente a esse o dever de torná-la trafegável) não é muito bom ao nosso assistencialismo, a mania de deixar tudo como está para ver como é que fica.
Tivéssemos uma população mais ativa e algumas ações judiciais contra a omissão municipal acabariam dando um novo trato ao problema.

Folclore
O mito das barricadas não é um hábito apenas francês, nós nele embarcamos como uma espécie de sina: em 1965, depois da renúncia de Jânio e oposição à posse de Jango, o prefeito da cidade, general Iberê de Mattos, tentou ser o Brizola da terra e falava até em armar a população. Meses depois disso, Iberê foi candidato a deputado estadual e ficou numa oitava suplência. Como se vê nem o fascínio do martírio funcionou. Aliás em 1954, suicídio de Getúlio, houve eleição, a primeira em Curitiba, vencida por Ney Braga com o PTB aparecendo em quarto lugar.

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