Exemplo da Copa
O pouco público no jogo das seleções da África e do Brasil é um alertamento para os efeitos da penúltima Copa: é caríssimo o custo de abrir um dos estádios para o campeonato nacional, tanto que são disputados nas centrais de treinamento. Pelo menos em duas localidades no Brasil teremos a repetição do fenômeno, na Arena Pantanal e na Arena amazônica, pois por maior boa vontade que se tenha será dificilmente praticável o deslocamento de partidas do nacional para tão distantes pontos do País.
A Grécia guarda sequelas das olimpíadas: verdadeiros elefantes brancos daquelas modalidades não praticadas localmente e que ficaram sem serventia e cuja dimensão desoladora aumenta com a crise que abateu o país. Também algumas dessas existirão, por certo, no Rio de Janeiro. Isso sem falar na grosseira especulação imobiliária que marcará a implantação desses espaços. Aliás os Jogos Panamericanos foram uma pequena amostra com instalações condenadas como as da Vila Olímpica e do estádio do Engenhão, isso sem falar nos mais de R$ 4 bilhões despendidos ante um orçamento inicial que mal passava de R$ 700 milhões e que entre as obras estava a da despoluição da baía de Guanabara que será provavelmente um dos vexames das competições náuticas, como se prevê.
O pior, no entanto, será o referencial permanente para a sediação da Copa e das Olimpíadas, alvo da revolta justa mas também da demagógica dos vândalos que encararão o fato como evidente distorção de prioridades num país ruim de saúde, de educação e de segurança e no ranking mundial da corrupção.

Hortifrútis
Sensores oficiais de plantão nas Ceasas já vinham detectando altas nos legumes e verduras em função da estiagem, mas a disparada de custos em Londrina surpreendeu com alta de 13% na cesta básica. No acumulado de 12 meses chegou a 7,65%. Com outros efeitos como os que geraram aos produtores de grãos cerca de R$ 2 bilhões teremos uma decolagem da inflação.
O tomate, vilão de novo, subiu 135% em fevereiro em relação a janeiro.

Penúria
Não é apenas o racionamento da ração para os cães da Polícia Militar e muito menos a falta de grana para retirar de oficinas veículos em reparos ou ainda a falta de combustível. Em bairros de Curitiba membros do Conselho de Segurança fazem "vaquinhas", como a dos mensaleiros presos no pagamento de multas, para levantar dinheiro na recuperação de veículos oficiais em conserto.
Junta-se a esse cenário de penúria o corte do auxílio transporte dos mestres (educadores e servidores da área) doentes. A APP Sindicato estuda medidas jurídicas cabíveis num clima de revolta geral. E o governador viaja.

Pressão
O professorado está em plena campanha pela implementação do um terço de hora-atividade de acordo com a lei nacional do piso e a estadual que trata da carreira. Afora essa há ainda o reajuste automático dos barnabés em maio e a pressão dos policiais arregimentados mais dos guardas de presídio.
Quanto os professores querem: mais 33% apenas. Em protesto dispensarão alunos uma hora mais cedo amanhã e nos dias 11 e 24 de março.
Ano eleitoral é combustível para tudo e oportunidade rara de emplacar anseios antigos, às vezes esquecidos no correr do tempo. Incrível é que ainda há gente no governo com aquela expressão de lua de mel.

Folclore
Uma das armas dos políticos sempre foi a de tratar como ignorantes líderes como Manoel Ribas no Paraná e Benedito Valadares em Minas. Tentaram fazer isso com João Mansur, hábil na amizade mas também no revólver e a piada era assim: o sujeito encontrava o político vendo tevê e perguntava se estava firme.

Firme?
Não. Futibor.

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