Operação abafa
Na capital, assim que for superada a questão do reajuste de motoristas e cobradores há agora um consenso entre todas as partes litigantes à exceção do movimento popular e de parte dos vereadores: a operação abafa em cima da licitação. O prefeito não deseja a revisão por temer efeitos desastrosos no campo jurídico; o governo estadual, obviamente, não quer devassa alguma pela circunstância de estar diretamente nela comprometido quando geria a cidade, mais até do que as empresas que ameaçam as piores consequências no campo judicial se houver tentativa de revisão no caso.
Nesse aspecto, Beto e Guga se alinham por motivos diversos, e a postura do prefeito se ajusta num temor indenizatório de no mínimo um bilhão, quase no nível daquele que Requião aprontou com a multinacional El Paso na construção e operação da termelétrica de Araucária.
E não é por motivo ético que o prefeito não explora a licitação que tanto compromete o seu hoje adversário, o governador, já que na exploração da crise os dois empataram em tentativa de reduzir suas taxas de deterioração no evento em lugar de procurarem debelá-la. Quem vai ficar de atalaia é o pessoal da CPI municipal, o movimento social, o Tribunal de Contas face à posição condenatória que assumiu e, quem sabe, essa uma esperança, o CADE, Conselho Administrativo de Defesa Econômica, convocado para dirimir se há ou não impedimento à competição no sistema de coletivos.

Pesquisa
Não é só a ração dos cães da PM, mais o bilhão de dívidas, que surgem como sequela da gestão financeira temerária de Beto Richa: o Ipardes está impedido de continuar suas pesquisas, algumas relevantes como a de emprego, por causa do aperto. Anteontem, por exemplo, poderia mostrar com as avaliações do IBGE quanto crescemos no PIB, mais na renda industrial e na agrícola. Fica tudo na base do chute: 5% no PIB, o dobro da média nacional; 7% no agrobusiness e assim por diante. Até para elogiar-se, como faz habitualmente, ao apropriar-se dos dados macroeconômicos, é obrigado à contenção.

Mais veto
Justiça em São José dos Pinhais interditou a carceragem da 1ª Delegacia.

Caos
Caos mesmo na Rodoferroviária com o fluxo dos 72 mil migrantes para o litoral e interior por causa das obras em andamento, novelescas como as da Linha Verde e desalinhamento das estações-tubo, símbolos de incompetência.

Folclore
Se o atacante Adriano passar o carnaval em Curitiba e vivenciá-lo fica tão bom que pode até ser convocado pelo Filipão. Terapia traumática, mais aguda que o joelhaço do analista de Bagé.

Concentração
Desníveis entre operadores do transporte coletivo tendem a aumentar o poder de concentração das empresas do grupo Gulin, que começou quando a Glória absorveu a Redentor de Ciro Frare (zona sul), ficando com o filé do sistema, sua coluna vertebral.

Punch
O que sobrava em Requião ao transbordamento escasseia em Fruet na disputa do transporte: mesmo com o caminho aplainado pela auditagem do TC e Urbs, mais a CPI, permanece em clinch enquanto Beto Richa valseia no ringue como um Mohamed Ali. Aliás Beto fez disso alavanca política: primeiro como substituto de Cassio, ao recusar-se a aumentar a tarifa, e depois a congelando por cinco anos, e agora tapeando, outra vez, com o subsídio que, aliás, está atrasado. Enquanto isso o prefeito permanece com aquele olho de pedir pão, o incompreendido, como um personagem do estúdio de Elia Kazan, o Actor’s Studio.

Democratismo
A audiência do TRT sobre salários de motoristas e cobradores tinha de tudo: vereadores da CPI (Jorge Bernardi), militantes da Plenária (Lafayete Neves), a vice-prefeita. Transparência em excesso pode cegar como quem olha diretamente o sol sem alguma proteção, um negativo, um vidro queimado.

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