Com jeito de locaute
A descoberta de que as greves de motoristas e cobradores, como essa da Capital, tem jeitinho de locaute, isso é de parede patronal, mais ou menos dissimulada, levou o prefeito Gustavo Fruet à ameaça de pedir a prisão dos dois lados aparentes do conflito, patrões e empregados, é claro se tal for comprovado, algo difícil quanto conhecer os efeitos da tutela exercida sobre a cidade pelo Instituto Curitiba de Informática.
Como o Denorex, a operação pode ter cheiro e gosto de remédio e não sê-lo, pois as amarras orgânicas entre os dois sindicatos estão sob corrosão nos últimos tempos. Percebe-se tanto nesse caso como no da intervenção ansiosa de Beto Richa na questão do subsídio o desejo de fazerem surf no caos da greve como se mais importante do que resolvê-la e encará-la fosse, aí sim, marcar pontos eleitorais.
As consequências da greve co-obrigam tanto a prefeitura como o governo estadual a encararem as suas consequências no tumulto e em todas as formas de ameaça à paz social pelas dimensões do problema metropolitano.
Descobertas tanto da Urbs como da auditagem do Tribunal de Contas apontam graves irregularidades na licitação havida e que manteve no comando do negócio o mesmo cartel de sempre. Quem comandou a licitação? Beto Richa, então prefeito, e quem a deu consequência Luciano Ducci, tendo o hoje conselheiro Ivan Bonilha como o orientador jurídico. Nem Beto Richa muito menos Fruet estão distantes das responsabilidades, daí parecer infantil buscarem faturar eleitoralmente em cima de um caos a que deram, de forma mediata ou imediata, origem.

Lições
Entre os tantos protagonistas das discussões sobre transporte coletivo, além da turma do "Passe Livre", temos a plenária que insistia na tarde de ontem em ser recebida pelo prefeito não como mediadora mas uma portadora radical da mensagem de não aumento da tarifa, o que sabidamente é impossível impedir até porque foi com a greve que o povo melhor captou a importância do sistema. Toda proposta de redução de tarifa, em cima de um aumento de salário, quando o que se paga aos trabalhadores implica em quase 50% do total da passagem, é sempre, e em qualquer circunstância, inócua. Ocorre que se há irregularidades apuradas e que tornam anulável a licitação há da parte empresarial a queixa de forte desequilíbrio contratual (R$ 300 milhões, segundo peritos contratados). Pelo conjunto da obra Richa está mais enrolado do que Fruet por causa da licitação.

Adriano
A maioria do povo curitibano se sentiu ontem como se fosse o Adriano, ponta de lança do Atlético Paranaense, chamado aos 37 minutos do segundo tempo para jogar: é pior, tanto o caso dele como o da população, do que aguardar Godot que nunca chega.

Escolha
Como é persistente a resistência ministerial à liberação do delegado Iégas para a secretaria de Segurança, o governador imagina uma solução final, já que a provisoriedade não é um ritmo adequado à pasta. No seu governo caíram Reinaldo de Almeida César, homem de ouro da PF, Cid Vasques do MP e também o diretor da Polícia Civil, Marcos Michelotto, que foi preso pelo Gaeco em função da invasão da mansão por policiais encapuzados até hoje mal explicada.

Folclore
A charge cabível ao papel de Beto Richa e Gustavo Fruet, ao tentarem faturar eleitoralmente a greve dos ônibus, é a de um montado em bicicleta e o outro num kart que não deixa de ser, ao olhar apaixonado, embrião da Fórmula 1.

30%
Uma das coisas surpreendentes, pela rapidez, foi a deliberação do TRT de exigir que grevistas (no momento a greve não havia sido decidida) deixassem operando um mínimo de 40% da frota no horário comum e 70% no "pico". Apesar de receber a intimação e assiná-la o Sindimoc não a cumpriu. Ontem houve o pedido da vice presidência do TRT para que um mínimo de 30% da frota fosse mantido em operação e multa de R$ 100 mil diários se não houver o cumprimento. Um recuo ou uma precipitação: as duas coisas.

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