Diálogo de surdos
Pelo jeito está determinado que a campanha eleitoral será um braço de ferro entre Beto Richa e Gleisi Hoffmann a respeito do monotema: o suposto bloqueio aos empréstimos e demandas paranaenses. Até a recusa, justificada, da pasta da Justiça para o licenciamento do delegado José Alberto de Freitas Iégas assumir a Segurança é usada como prova dessa indisposição paroxística.
O pior é que o PT e aliados não perceberam que quanto mais se usa o argumento as respostas apresentadas acabam beneficiando o governo. É que é tão absurdo o quadro das finanças (o que ficou demonstrado na fala da secretária Jozélia Nogueira no Legislativo) que se torna impossível pasteurizá-lo no viés burocrático e em versões tecnicistas.
O eleitorado paranaense, mais uma vez, como tem ocorrido, não ficará sabendo o que pretendem os candidatos dando a impressão que nada há a discutir além de dois pontos: a quebra financeira e as versões da crise, um empurrando a culpa no outro. Em governo em que se anuncia até racionamento da ração dos cães da PM (de 1.500 gramas para 400 gramas) e as despesas permanecem num crescente com novas reivindicações de professores, policiais e guardas de presídio, sem falar num reajuste geral dos barnabés em maio, mais o auxílio moradia dos magistrados de R$ 4 mil per capita, o caixa, há muito, estourou.

Enxugou
O quórum do PMDB de eleitores registrados caiu de 10 mil para menos de mil, conforme a eleição do diretório municipal o demonstrou domingo passado.

Cautelar
Urbs entrou anteontem, à noite, com medida cautelar no foro trabalhista pleiteando que se estabeleça um número mínimo da frota em caso de greve. A decisão pelo TRE obriga grevistas a manterem 40% da frota no tempo normal e 70% nos horários de pico. Em greve, motoristas e cobradores não a acatarão.

Essencialidades
Não é justo colocar no mesmo balaio de prioridade a criação da Fundação de Saúde (para a qual o sindicalismo não tem alternativa) e o auxílio moradia de juízes e desembargadores, sem indicar fonte orçamentária e a quem beneficiará, algo que nem o regime militar faria por respeito à judicialização. Merecemos a representação parlamentar que temos?

Folclore
Se o "teaser" do PMDB "Requião tem razão" fosse "Requião tem ração" certamente os cães da Polícia Militar abanariam o rabo.

IPTU
Não apenas os valores imobiliários de Londrina vão sofrer drástico reajuste, pois Curitiba está pretendendo manobra igual a que fracassou em São Paulo. Ideia é levar o orçamento da Capital ao dobro, embora não haja programa como se vê até no caso extremo e desastrado do metrô.

Quebra
A quebra da safra, estimada em R$ 2 bilhões, terá efeitos na inflação em função da alta de preços. Misture-se isso à questão cambial é dá para perceber que o cenário que está por vir não é nada satisfatório. O povo ficará na bronca diante dos gastos supérfluos da Copa e reagirá.

Racionamento
Se persistir o corte da ração dos cães da PM eles sairão dos campos de futebol e das ruas para as passarelas.

Novo estilo
Essa fase de ativismo do Tribunal de Contas poderia se transformar em permanente em manter-se de olho no que o governo faz. Agora sugere que as obras de mobilidade, tanto estaduais quanto municipais, não ficarão concluídas até a Copa, o que também é óbvio.

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