Autofagia sofrível
Houve troca de farpas, segundo observadores do Senado, no debate sobre o empréstimo do BID ao Paraná. Requião teria acusado o deputado Luiz Carlos Hauly de ter quebrado o Estado e teria ouvido a resposta de que a gestão Beto Richa teve que arrumar o desequilíbrio deixado pelo antecessor, embora não tivesse processado. Como era de esperar-se, Requião foi o único voto contrário ao empréstimo, sob a alegação de que as contas não estavam nos trinques.
Como Alvaro Dias e Gleisi Hoffmann votaram a favor, a resistência havida foi bem menor do que a observada, sob Lerner, ainda na CAE, Comissão de Assuntos Econômicos, no caso das montadoras. Naquela oportunidade Requião e Osmar Dias ficaram contra e apenas José Eduardo Andrade Vieira a favor.
Discute-se muito a questão da autofagia, tida como arquétipo negativo da terra, embora se perceba que ela é melhor do que a adesão automática que por vezes traduz um ajuste que nem sempre é o mais indicado às circunstâncias. Mas de qualquer forma o placar foi melhor do que o anterior, pois mesmo mantendo cerrada crítica ao desajuste financeiro, Gleisi votou a favor como o fará em relação a outras demandas até para não dar razão ao adversário na evasiva de que a União persegue o Paraná, explicação nada convincente, mas de inegável força política, especialmente quando repetida, como ensinava Goebbels.

Apoio crítico
Assim, pois, haverá, ao longo desses processos de repasses, o apoio crítico da senadora Gleisi Hoffmann para ratificar, duramente, a acusação de que a gestão financeira é temerária, background relevante para renovadas restrições da Secretaria do Tesouro Nacional, ainda persistentes a despeito da liminar de Marco Aurélio de Mello sobre o Proinvest do Banco do Brasil. É que obviamente o Paraná não tem como regularizar o compromisso dos R$ 260 milhões mensais para capitalizar a Paranaprevidência e mais os atrasados até janeiro de 2013.
Joga-se com o tempo e com a retórica repetitiva, mas o eclodir de demandas como a da polícia em greve acentuam a crise na impossibilidade de o Estado fazê-lo sem agredir a Lei de Responsabilidade Fiscal, o que é declarado, de forma categórica, pelo governador Beto Richa para escusar-se, argumento mais forte para justificar também a fundação de saúde.

Lado positivo
Em meio a tanta coisa negativa, a inauguração da biorrefinaria (a primeira do país) da Cargill em Castro (investimento de R$ 500 milhões) mostra a eficácia do Paraná Competitivo. É que na gestão anterior o governador era o espantalho dos investidores com seu discurso nacionaleiro e investidas "anti-imperiais" na base da bravata como a deflagrada contra a soja transgênica.

O processo
Nada tem do processo de Kafka, mas esse julgamento do Ribas Carli (o fato delituoso se deu há cinco anos e até hoje se discute se vai ou não a júri) é novelesco demais. Fizeram até a respeito um trocadilho com o "curling", aquele jogo de inverno com a pedra tendo o caminho facilitado pela ação das vassourinhas. Só que nesse "curling" há uma jogada por ano.
Ontem o TJ decidiu cortar a prova do álcool, mas confirmou o júri.

Tensão
O TC não acatou recursos da Urbs e do cartel dos ônibus e confirmou a queda em 43 centavos na tarifa técnica. É mais um condimento para acirrar o choque entre patrões e empregados que pode transbordar em greve.

Impeachment
Um abaixo assinado com meio milhão de assinaturas pediria o impeachment da presidente da República por causa da Copa do Mundo e seus gastos num país caminhando para crise. Pode significar pouco, mas dá ideia de que na Copa estaremos sujeitos a pressões incontroláveis principalmente se o brasileiro médio estiver numa pior.

Folclore
Depois do "confiar, desconfiando" da conclusão da Arena da Baixada temos agora o informe de que o Tribunal de Contas da União mostra preocupação com a Copa em Curitiba. Depois de tanta fama, a quase humilhação.

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