LUIZ GERALDO MAZZA
Buraco sem fundo
Nos tempos de menino havia algo no jogo de bolinha de gude, cercado daquela aura de mistérios, que encantava e surpreendia: o búrico ladrão, o terror das jogadeiras. Como se bolado por um engenheiro especialista em túneis, a bola rolava e sumia nas entranhas da terra.
Claro que não há propósito em comparar algo tão poético e lírico desses mistérios e sortilégios da infância com o prosaico hábito desse governo gastador fazer sumir dinheiro público. Cada aspecto analisado revela esse despudorado pendor para a prodigalidade: por exemplo o governador tentava sugerir que os saques feitos nos depósitos judiciais eram discretos e alcançavam apenas 19 contas quando o já apurado, com a participação do TJ, Caixa Econômica e OAB-PR, alcança R$ 3,483 milhões em 123 registros. No cálculo simplificado falava em R$ 365 mil, dez por cento do alcançado.
E como não está concluído o levantamento teremos em breve mais uma farta demonstração da gestão temerária já que os compromissos crescem de forma progressiva e em escala geométrica e a obtenção de recursos se dá em escala matemática.
Um poeta diria que o nosso governo não consegue ter noção da profundidade do búrico ladrão que vive a construir por incapacidade gerencial.
Plano Diretor
Quando se falou recentemente em revisão do Plano Diretor de Curitiba lembrei, em comentário na CBN, que seria a hora de convocar o arquiteto e urbanista Jorge Wilhelm. Eu ignorava que ele havia sofrido um acidente de trânsito e se encontrava hospitalizado. Ele faleceu em decorrência de complicações ontem e várias cidades, dentre as vinte que tiveram a sua intervenção de urbanista, registraram a notícia com pesar, tal qual Curitiba.
Maniqueísmo
A troca de farpas entre Beto Richa e Gleisi Hoffmann pode se tornar numa indesejável camisa-de-força da campanha eleitoral: ela fez um discurso no Senado, em assunto de aguda tecnicalidade, criticando o governo paranaense por haver estabelecido a "substituição tributária" que aniquilaria as micro e pequenas empresas. A maioria boiou, mesmo quando Requião entrou no debate em sintonia com a petista. Tradutor, urgente.
Abrandou
Jérôme Valcke, da Fifa, abrandou a rigidez de suas críticas ao atraso das obras na Arena da Baixada sinalizando o melhor: a Copa não sai de Curitiba. No momento, deixando divergências políticas de lado, Beto e Fruet, pelo menos nessa, estão alinhados. Já nos transportes urbanos terão bronca neste mês como deu para perceber no isolamento de Contenda por Araucária que pode significar o rompimento dos elos da cadeia.
Bom sinal
A liminar do ministro Marco Aurélio que liberou os R$ 817 milhões do Proinvest em favor do Paraná tem o mérito de mostrar que somos adimplentes, isso é fora do garrote de mau pagador.
Folclore
Uma das diversões do estudantado em Curitiba nos anos 50 e 60 era mobilizar a figura popular Maria do Cavaquinho, uma anãzinha que ameaçava o mundo com um guarda-chuva ou o cavaquinho e apoiada pelo alarido juvenil deitava na rua XV, aquele tempo com dois sentidos, e bloqueava à moda dos indus a circulação dos carros. Uma das maldades era pedir que ela fizesse "bicicleta" com os transeuntes (empresários, desembargadores, donos de jornais) segurando-os pelas partes baixas, o que os obrigava a pedalar. Num dia fui visitar o Leone, prefeito da Lapa, e me surpreendi ao ver a baixinha, aos cuidados de uma instituição assistencial, na rua da cidade histórica, onde morreu.
Vistoria
Vistoria do Judiciário e outras autoridades ao 12º Distrito deu para perceber que a unidade tem que ser fechada, tal o nível de degradação lá encontrado.
Solidão
Não era totalmente solitário, já que padecia também de solitária.





