LUIZ GERALDO MAZZA
O filtro de sempre
Quem pensa que a vinda das montadoras até nós foi pacífica está enganado: justamente no Senado o mesmo Roberto Requião, que agora exerce igual papel, acoplado então ao seu colega Osmar Dias da Comissão de Assuntos Econômicos, submetiam a aprovação à hipótese da revelação por inteiro dos protocolos secretos que informavam tais processos. Na verdade era um segredo de Polichinelo, como o demonstrou o deputado Luiz Claudio Romanelli, mas que servia de entrave. Da bancada paranaense a maioria queria embaraçar e apenas o senador José Eduardo Andrade Vieira dava apoio aos nossos interesses.
Portanto a Comissão vai ser, uma vez mais, o filtro agora do pacote de empréstimos e repasses ao Paraná, orçado em mais de de R$ 1,1 bi. E quem o votará por nossa bancada será Alvaro Dias, a favor da liberação, e talvez a senadora-candidata Gleisi Hoffmann, e contra o senador Roberto Requião se é que na hora não venha a mudar de opinião. Gleisi não teria a menor condição de votar contrariamente porque isso consolidaria a sua postura de que é, ao lado de outros ministros da terra, contrária às nossas postulações.
De qualquer forma vai ser divertido esse repeteco histórico: na situação anterior dá para lembrar o oba oba comandado pelo Carvalhinho da Fiep e demais dirigentes de entidades conservadoras, com aquele ar indignado e ferido, em caravanas que ocuparam Brasília numa operação de guerra. Hoje a situação é diferente porque o governo paranaense deu motivos de sobra para o bloqueio ao gerir de forma temerária as suas finanças, evidenciadas nos compromissos não pagos também em mais de um bilhão, obras paradas, o caos enfim que aí está.
Fala-se muito no clichê da autofagia, mas ela é mais saudável do que aquela costumeira adesão incondicional.
Desanuviou
Importante vitória do governo paranaense a liberação, ontem, em liminar, pelo STF, dos R$ 817 milhões do Proinvest, do Banco do Brasil. O Paraná, nesse caso, foi esnobado, mas a reação veio tardia por parte da nossas autoridades que aceitaram sem chiar a situação, pois se tratava visivelmente de uma discriminação, aí sim indiscutível.
Mais "belisco"
Com a urgência das obras da Arena, que reclama mais R$ 65 milhões, governo estadual embutiu mais uma operação de R$ 200 milhões no BNDES para capitalizar o Fundo de Desenvolvimento que é operado pela Fomento Paraná. Segundo técnicos cada real alavanca dez reais no processo. Jamais num estádio de futebol.
Um detalhe: quais as garantias que o Atlético vai dar agora?
Tardia
Decisão sobre júri do ex-deputado Ribas Carli adiada outra vez. Agora saem vários processos antigos: o da doceira que tentou envenenar e também aquela tragédia do espetáculo no Jockey Club que matou três jovens. A habilidade procrastinadora dos advogados é mais relevante que a eficiência judicial.
Nova guerra fria
Atribuir genericamente as ações de vândalos (Black Bloc) em manifestações populares a atos de terrorismo é aceitar o novo conceito geopolítico de subversão de interesse dos Esteites e União Européia ao internalizá-los nas tensões locais. Se é condenável a leniência das autoridades nas badernas há o risco desse entendimento, já vertido em projeto legislativo, criar paranoia incabível no regime democrático. É preciso sair da inércia, o processamento exemplar dos que jogaram o rojão no cinegrafista obviamente não basta, mas é pelo menos um ato de legítima defesa da sociedade.
Folclore
Bastou sair a grana do Proinvest para que os tucanos dissessem que sem a Gleisi vai ser mais fácil obter as coisas. É a politização de tudo, levada ao extremo. E se sair o resto dos empréstimos e o governo gastador continuar caloteiro e seprocado o que vão, afinal, argumentar?
Estaiado
Não era um corno comum; tinha uma certa dimensão ornamental, daí o chamarem de "estaiado" como os suntuosos viadutos.





