Refém de tudo
O governo estadual é refém de várias coisas: da crise financeira que gerou, com um empurrãozinho federal, e também do caos nos presídios. Como essas coisas se interligam montam um caldo de cultura de difícil remoção e nas prisões é mais fácil fazer acordos com presidiários transferindo-os a outras unidades, como se deu ontem após um sequestro de cinco horas de um agente, do que cumprir promessas antigas, salariais, aos trabalhadores.
Resultado: ontem, fim de expediente, reunião entre agentes penitenciários para discutir os acordos não cumpridos, velho estilo da administração, com os reivindicantes em postura beligerante, estado de greve, com assembleia marcada para tomar posições na frente do Palácio Iguaçu hoje. Se fosse com os mestres, os experimentados professores, haveria fuga em massa de governistas.
Se uma demanda menor como a dos servidores da saúde que impedem a criação da fundação para contratar gente, contornando a Lei de Responsabilidade Fiscal, gera pânico no governo, mesmo com sua maioria parlamentar avassaladora, dá para imaginar o que teremos daqui para a frente.
Uma resposta máscula no caso da saúde deveria sinalizar para ações de um mínimo de coragem. Sem isso não se dá um só passo à frente.

Hyde Park
Boca Maldita cada vez mais com jeitinho de Hyde Park: ontem os cinegrafistas fizeram homenagem ao colega morto, assassinado pelos Black Bloc que os governos, calhordas, alisam suas cabeças encapuzadas como se estivessem exercendo o direito de ir e vir, matar e se mandar. A nós, por enquanto, resta o direito de prantear as vítimas. Enquanto der.

Sabedoria
Diziam os antigos: quem brinca com fogo urina na cama.

Comício
Servidores da saúde escolheram o Hospital de Reabilitação, uma das maiores vergonhas públicas do setor, para suas mobilizações. Com mais de seis anos de existência, aquilo que era para ser maior do que o Sara Kubitschek da Capital Federal, centro de referência das Américas na especialidade, supera apenas sua fase de traço ambulatorial. Durante muito tempo teve mais servidores do que pacientes. O governador, traumatizado, foi lá e não havia raio x.
Requião prometeu que enviaria médicos para formação na Suécia e até hoje são esperados para a ida.

Apagar fogo
Função do governo agora é apagar fogo: ora de presidiários, ora de vários setores de sindicalistas. Mas a reserva de lábia, de conversa, já está chegando ao fim. E para esquentar sua cuca ainda há essa questão da Copa e da injeção de recursos do BNDES no Fundo de Desenvolvimento Econômico.

Folclore
O Tribunal de Contas, que nunca se manifestou sobre ônibus, entrou de sola em Curitiba; até o Cade, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, foi provocado para ver se há cartel no sistema e quem entrou agora na parada o Nurce, Núcleo de Repressão aos Crimes Econômicos, da polícia civil e tudo sem esquecer da CPI, da Câmara Municipal, que sempre agiu solidária às empresas. Lembra a anedota do regime militar em que num ônibus um oficial do Exército é acusado de assediar uma passageira e quebrou o pau. Vai todo mundo para a delegacia e o delegado pergunta ao cobrador por que ele chutou o quépi do major. "Quando vi todo o mundo querendo bater no milico chutei o quépi porque acreditei que a revolução tinha acabado!".

Água
Já estamos com várias cidades, dentre elas Ponta Grossa, submetidas a algum tipo de racionamento da água. Não poucos bairros da Capital sofrem com a falta do produto e a Sanepar insiste que os reservatórios estão com 90 e até 100%. Deveriam vender o know how às barragens hidrelétricas, todas em crise, algumas com 30% de provisão.

Kit
Como tiraram até a caneta do kit escolar em São Paulo chamaram-no de kit pariu.

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