Ferida não cicatrizada
Embora solucionado o problema do funcionamento do Gaeco - e admiravelmente evidenciado nessa apuração do chuncho de barnabés em Campo Mourão - sentiu-se o Ministério Público no dever de insistir junto ao STF para que se respeite a sua prerrogativa administrativa de cortar a licença do procurador Cid Vasques para que deixe a secretaria de Segurança. Ainda que aparente um exagero levar à mais alta Corte do país uma questão substancialmente menor, ela, na verdade, fere o sentido da autonomia do MP conquistado com a Carta de 1988, já que o respeito às decisões de suas instâncias internas superiores foi atingido.
Culpa de quem? Do governador que no culto às suas lealdades vai além de qualquer faixa do imaginário como se deu no episódio referencial do seu chefe de gabinete, quando deputado, Ezequias Moreira, que punha a mão na grana da sogra transformada em sua "laranja" como servidora fantasma. Embora o seu secretário de Segurança venha atuando bem e mereça prestígio nada justifica um conflito institucional dessa ordem quando o processo administrativo revelou à náusea, pelos votos dos Conselhos Superior e do Órgão Especial do Colégio de Procuradores, que se tratava de decisão radical, mas dentro dos parâmetros que regem a corporação.
Essa contingência, a de recorrer da decisão do presidente do STF, que deve ter sido pesada e pensada, é indispensável para ver até onde vai o raio de autonomia do Ministério Público. Como se já não bastassem os comprometimentos do Poder Judiciário local com as matérias em exame sobre presumível tráfico de influência nas ações comuns com os demais poderes estaduais, sob monitoramento do CNJ e do STJ, o que aprofunda os constrangimentos, mantém-se o cisma nada agradável para nossa imagem.

Recorde
Pelo menos numa área vamos estar no ranking nacional: a da fuga dos presídios. Em menos de dois dias nada menos de seis presidiários escaparam: cinco deles da Pep 2 e anteontem mais um da Pep 1, este um recordista de evasões desde 2006. Usa as artes sofisticadas ao estourar cinco cadeados.

Carnavália
Carnavalescos querem derrubar na Câmara Municipal as restrições legais que impedem as escolas de samba de serem patrocinadas por refrigerantes, bebidas, etc. Lembro de um ano em que a fantasia excepcional dos "Embaixadores da Alegria" como pinguins com uma champinha na cabeça. Também não é preciso exagerar fantasiando-se de camisinhas para campanha contra a Aids.

Mínimo utópico
O Dieese insiste na tese de que se fossem observadas normas históricas da cesta básica, centrada em decreto de Vargas, o mínimo hoje deveria ser de R$ 2.748. Quando tal medida foi adotada havia de cada 10 brasileiros oito no campo, impermeável à qualquer norma trabalhista e regulado pelo colonato e normas assemelhadas às da escravidão. Como palavra de ordem vale, como raciocínio nem tanto.

Tensão
Politizaram demais a questão das tarifas dos ônibus (CPI, auditagem da Urbs e do TC, pressão de movimentos sociais, Passe Livre na origem dos agitos de junho do ano passado) e agora muitas das empresas estão em ponto de quebra, com retorno zero segundo auditores convocados. Resumindo: no ano da Copa vamos encontrar um sistema contestado, em frangalhos (é claro com alguns pecados hoje devassados) e ainda sujeito a greves enquanto não houver pronunciamento judicial. Vai entrar em pane. No caos não há mobilidade urbana.

Folclore
Se os presidiários do mensalão são cultuados como heróis, resistentes, dentro em pouco não espantará que se queira beneficiá-los, primeiro com a anistia e depois com as indenizações de praxe. Vai haver uma chuva de mártires.

Esperança
Surgiu um sinal de esperança para beneficiar os estudantes de jornalismo da Federal, vetada pelo MEC. É possível uma revisão ainda na próxima semana.

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