LUIZ GERALDO MAZZA
Espetacularizar sempre
Agora cada ato de rotina do governo como o de pagar credores ou cobrir a folha do funcionalismo será decantado como um feito épico e não a normalidade como se fosse algo como aquela vitória do Atlético nas penalidades máximas. Há um esforço deliberado para contestar a situação financeira precária o que obriga a soltar foguetes, como o Gerson Guelmann fazia à cada pesquisa em que Lerner aparecia na frente, para afirmar o triunfalismo.
O pagamento de R$ 200 milhões em precatórios foi festejado como prova de que o governo não tem crise nenhuma, como acentuou a liderança na assembleia, quando isso mal serve para cócegas, conforme a OAB-PR, já que o acumulado ultrapassa os R$ 5 bilhões, como o descompasso com a Paranaprevidência passa também de R$ 8 bilhões, conta normalmente esquecida. Daqui para a frente os dados macroeconômicos, quase sempre favoráveis pela força da economia e não por feitos governamentais, como se sugere por método, serão mais explorados e teremos imagens do governador sorridente a abraçar eleitores por todo o Paraná, tarefa prioritária à de pagar contas, quase sempre desagradável, ainda mais quando o caixa é precário, o bolso vazio, a despeito da cara de rico e com plenitude gástrica.
Na Justiça
Essa parada da tarifa do transporte coletivo da capital não será resolvida com a mediação do Tribunal de Contas, já que esbarra em matéria contratual e em pactos judiciais. Como ela tende a dificultar o acerto salarial com cobradores e motoristas e tornar mais penosas as negociações, teremos a inevitabilidade da greve, já que velhas conquistas, muitas delas absurdas como a cessão de 3% do total das folhas de pagamento para um fundo do sindicato, estão ameaçadas pelo garrote da revisão das planilhas.
De um lado políticos querendo faturar a baixa de tarifas, de outro as empresas alegando perdas que vão pleitear judicialmente, no meio o Sindimoc, desabituado a empregar suas próprias forças sem o governo e empresariado e disposto a radicalismos, enfim um prato feito ao gosto dos Black Blocs.
Conclusão: matéria pericial, que convoca especialistas atuariais e variado leque de econometristas, só se resolve no Judiciário e longamente. Se Beto Richa e Fruet não agravarem, como sempre fazem, a disputa será o primeiro sinal positivo.
Fuga
Fuga de presos não é mais notícia dada a frequência: ontem 43 o tentaram na cadeia de Quatro Barras, mas a polícia impediu.
Sucesso
Feitos da polícia fazem esquecer o veto a Cid Vasques: pegaram suspeitos do assassinato da milionária, Cleman Abujanra, no Batel. Autores seriam parentes da vítima. Dúvidas se responde com eficiência. Outra foi a prisão do dono do desmanche que tinha dois andares em Colombo.
Folclore
Se a cada pagamento, como o dos 200 paus dos precatórios, o governo celebrar com foguetes, de repente quem fica sem receber seu pagamento será o dono do depósito de fogos de artifício.
Imagens
Governos cuidam de suas respectivas imagens e Beto Richa poderia surpreender com o gênero firmeza e austeridade, fatores olhados como de risco. Enfrentar as galerias da Assembleia seria uma delas, outra valer-se da reforma para diminuir o número de pastas; se cortasse umas dez ninguém sentiria a não ser os beneficiários e aspones.
Ajuste
Há uma distância entre o cálculo da OAB e do STF sobre precatórios. O da OAB é conservador, perto de R$ 6 bi, o do STF é R$ 11 bi. Depois disso se você perceber um gestor público sorrindo preste bem atenção para ver se não se trata de um rito facial neurológico, efeito de um derrame.
Greve
Greve dos ônibus de Porto Alegre, que já dura nove dias, é uma possibilidade agora no caso de Curitiba. O desgaste será de todos, não escolhe partido.





