Vantagens discutíveis
Para o deputado federal e presidente do PMDB regional, Osmar Serraglio, uma fotografia atual do partido favoreceria o grupo que prega a reeleição de Beto Richa. É que, além da maior arregimentação do grupo de deputados estaduais, que vê nessa contingência o melhor caminho para sustentação de comandos municipais, há ainda aquele outro fator, relativo à cupidez do PMDB por novos ministérios, utilizando como arma de chantagem a saída da base aliada.
Assim, pois, há vetores dominantes, nesse momento, em favor de Beto Richa e dos seus mosqueteiros abancados no Legislativo, o que não significa que irão se manter ao longo do tempo.
A tese da candidatura própria só teria sentido se o disputante fosse Roberto Requião porque é a única liderança com força eleitoral, apesar do seu traço desagregador. Uma candidatura tipo Orlando Pessuti seria cristianizada logo de saída por sua baixa densidade eleitoral em termos estaduais. Só teria sentido com uma aliança transversal com Gleisi Hoffmann.
Em política, ainda mais quando o fisiologismo predomina, as situações mudam de uma hora para outra, com a balança podendo pender entre duas alternativas: a dos interesses nacionais confrontados com os locais. Frios e negociadores, os comandantes do PMDB, a partir do vice que deseja manter-se, Michel Temer, têm força limitada para controlar as rebeldias regionais mesmo que favoreçam, as intenções dos caciques e o valorizem na sua cupidez ministerial.

O estouro
Vários governadores, inclusive Requião, que fez a última advertência e que brecou a questão dos empréstimos, têm responsabilidade na crise previdenciária estadual. Afinal a maior parte deles - e isso vem desde o extinto IPE, Instituto de Previdência - jamais pagou a cota correspondente à participação estadual, hoje nivelada a 11%, como se dá com servidores ativos.
Recentemente o governo fechou um acordo de que pagaria mensalmente R$ 260 milhões para esse fundo, retroativos a janeiro do ano passado. Tipo do acordo para não cumprir, já que esse acerto feito no meio do ano iria trombar com a mobilização de recursos para pagar as três folhas de fim de exercício.
A Paranaprevidência tem o seu futuro comprometido há muito tempo e embora destacado com um dos fundos de pensão mais promissores esbarra na forte descapitalização calculada hoje em mais de R$ 8 bilhões.

Fraqueza
Há um setor duro, por incrível que pareça, no governo estadual, que estaria disposto a blindar a situação mesmo em ano eleitoral das pressões de setores do funcionalismo. O sistema de saúde, por exemplo, é dependente de uma saída que não comprometa, mais do que está, o problema do descumprimento da LRF, Lei de Responsabilidade Fiscal, não dando ouvidos a sindicatos que imobilizam o
governo com a gritaria da "privatização". A fraqueza do governo é notória como se viu ao recuar de uma decisão do Conselho de Gestão que impedia aumentos e pagamento de atrasados e só a folha adicional do professorado chegou a R$ 80 milhões isso sem falar em concessões a procuradores com o tal estabelecimento do "subsídio" que implicou em reajustes gerais.

Tarifas
Agora descobriram erros nos cálculos do Tribunal de Contas que preconizavam a baixa da tarifa em quase 50 centavos. Empresariado resolve aguardar a decisão do mérito da liminar que lhe foi concedida em mais uma das precipitações gregorianas da Urbs que lhe queria impor renovação da frota na marra. Hamlet voltaria a dizer que há muito método na loucura.

Folclore
Serraglio e Fruet foram os nomes mais destacados do Paraná na guerra do mensalão. Curiosamente como o prefeito do Rio, Eduardo Paes, que também aderira ao combate, os dois se mostram hoje mais próximos do PT. Aí não dá para aplicar o ditado "diga-me com quem andas que dir-te-ei quem és".

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