Triunvirato mantido
Saiu a ministra Gleisi Hoffmann para reassumir o Senado, mas a nomeação de Thomas Traumann na pasta de Comunicação restabelece o trio paranaense com Gilberto Carvalho, cada vez mais político, e Paulo Bernardo. Há uma cobrança permanente diante de tão variada representação, todos, incluindo Gleisi, com raízes fortes no norte paranaense. Traumann, de Rolândia, deixa a posição de porta-voz para substituir Helena Chagas.
Não tem havido nas presenças ministeriais de paranaenses qualquer vantagem e ao revés se acentuam as omissões como no fato de termos tido três na Saúde e três na Educação não terem resolvido sequer a questão do pagamento do pessoal do Hospital Clínicas e muito menos a federalização das universidades estaduais e que absorvem 10% dos dispêndios com pessoal. Não temos sido regionalistas como os nordestinos ou o gaúcho Tarso Dutra que numa tacada federalizou todas as unidades de terceiro grau do Rio Grande do Sul quando ministro.
Quando a economia vai bem e também o governo (como não se dá agora com a maior das crises financeiras e a sensação de quebra e concordata) tudo acaba se acertando com se deu anteriormente, não havendo motivo para as queixas que só afloraram muito depois na percepção das omissões acumuladas.
Ministros devem cobrir seus setores com competência e não transformarem suas ações em demandas provincianas. A reforma cambial, em que Bento Munhoz, da Agricultura, venceu o ministro da Fazenda, José Maria Withaker, por exemplo, é parada para gente grande. De um modo geral, presença em ministérios só traz efeitos políticos e um relativo desprezo às demandas internas como se não as necessitássemos. É atitude olímpica demais num país assistencialista.

Espionagem
Nada abala o governo: assim foi com a invasão de policiais encapuzados à mansão de jogos e prostituição e o será agora com a notícia de espionagem, via uma conta da Celepar, contra policiais e seu setor de inteligência, agentes do Gaeco e auditores da Receita estadual.

No campo
Beto Richa e Gleisi Hoffmann na colheita da soja em Quarto Centenário andaram testando o eleitorado do agronegócio. Ambos pilotaram colheitadeiras e como Beto é ligado em corrida (kart e carros) Gleisi fez questão de ultrapassá-lo. Já nas intenções de voto, pelo menos até agora, leva a pior.

Dura nos bairros
A Setran, de Curitiba, decidiu sair do centro e fiscalizar a circulação nos bairros. Bom tema para a reabertura dos trabalhos da Câmara. Por sinal que está na pauta a revisão do Plano Diretor: urge convocar os agentes do setor, impedindo que os interesses imobiliários predominem. O autor do plano, o urbanista-arquiteto Jorge Wilhelm, deveria ser convocado. À época do plano houve um alternativo de Gustavo Gama Monteiro apoiado em parte pelo Instituto de Engenharia. Ivo Arzua, o prefeito, levou o plano a debate em todas as áreas sociais e profissionais, exemplo concreto de democracia participativa de que os outros tanto falam e não praticam.

Folclore
Slogan eleitoral de Ivo Arzua contra o orador excepcional do PTB, Carlos Alberto Moro: "mais ação e menos conversa". Placar final: Arzua 51.511, Moro 40.187, Abílio Ribeiro 17.023. Em critérios atuais daria segundo turno.

Diagnose
Reportagem desta FOLHA tratou do sofrimento dos professores estaduais: dos 76 mil do quadro 9,55 mil se afastaram por transtornos mentais e também comportamentais e 5 mil por doenças do sistema osteomuscular e tecido conjuntivo. A violência do ambiente periescolar é um dos fatores de estresse.
Talvez esses fatores expliquem também o baixo desempenho em avaliações e que não afetam a postura soberba na hora das reivindicações, das quais fica a impressão de que o governo é refém permanente mesmo com as contas estouradas.

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