Politizando o rolê
Movimentos de rua de junho mostraram claramente que nada tinham a ver com partidos e políticos e tanto que abominavam seus referenciais como bandeiras e faixas e até os expulsavam. Agora um dos secretários do prefeito Haddad, a pretexto de fazer ponte entre os rolês e os shoppings, tentou partidarizar o movimento vinculando-o à União da Juventude Socialista, o grupo que ligado ao PCdoB domina a Une, instituição há muito tempo chapa branca.
O que é pior: ser infiltrado pelos Black blocs ou se transformar num agente oficial a serviço da "boa causa" na falange governista? No primeiro caso pelo menos conservariam uma linha anarco-baderneira e antigovernista e no segundo lembrariam um pouco aquela União da Juventude Nacional-Socialista de triste memória da Alemanha. Aliás tinha uma afinidade com o PT até na designação: Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães.
Como os intelectuais de plantão já ideologizaram os "rolezinhos" - vendo-os até como a resistência da Senzala ante a Casagrande e, portanto, uma das dimensões da luta de classes - acabaremos, aos poucos, de partidarizá-los.

Reação
Advogados das empresas de ônibus da capital - os mesmos que defendem as concessionárias de pedágios - entendem ser indispensável que a justiça entre no mérito da liminar recentemente concedida contra a Urbs que impôs aos permissionários a obrigação de colocar mais 130 unidades na frota. O fundamental para eles é a prevalência do que está nos contratos, nada mais que respeito bilateral.
É verdade que pela vez primeira, em 50 anos, a relação pactual foi devassada e revelou absurdos como o pagamento na planilha do imposto de renda das empresas, isso sem falar em outros de tom populista como o de ceder a um Fundo Social do Sindimoc o equivalente a 3% das folhas de salários.
O ganho para a prefeitura na exigência de abater a tarifa em 43 centavos foi apoio para a discussão da pesada que virá em fevereiro com o acordo salarial de motoristas e cobradores e o velho "pega" do subsídio estadual e ameaça do rompimento da integração metropolitana.

Roçadinho
Primeira medida de Paulo Salamuni como prefeito provisório: acompanhar as roçadas dos trabalhadores em vários pontos da cidade. Com aquele jeito formal de quem acompanha acampamento de escoteiro a que está habituado.

Carnaval
Em Curitiba a discussão é se há ou não carnaval. Já no litoral com o predomínio dos trios elétricos, aliás caríssimos, o prefeito de Matinhos improvisa um plebiscito pela internet para ver que tipo de festa o povo quer.

Folclore
O fato é que as metas físicas dos governos (transposição do São Francisco, hidrelétricas gigantes, metrô de Curitiba) mais lembram metafísica.

O estilo
Pesquisa recente revelou que 80% das pessoas não sabem de uma obra que marque a gestão Gustavo Fruet. Até aqui a onda maior foi em cima de assunto nem discutido: o metrô, dotado de uma força diluidora de primeira ordem, até pelo fato de Lerner contestá-lo abertamente. Diz-se que a prefeitura tem obras articuladas em todos os bairros, isso é vinculadas a um programa, uma doutrina bem centrada. Ocorre que não há essa visibilidade. Ademais não há oposição e nem situação comprometida como a anterior. Até hoje não saiu o contrato da propaganda institucional por amarras burocráticas.

Paz
Está resolvida a pendência entre Gaeco e Segurança. Há quem entenda que a mudança de atitude de Beto Richa em defender seu secretário Cid Vasques foi minada por aquela decisão do MP em investigar o irmão mais velho, Pepe. Tudo é conjectura improvável, mas o fato é que o governador poderia ter resolvido o problema com antecedência até para não sofrer desgaste com as especulações.

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