LUIZ GERALDO MAZZA
Cartorial, sim
Entre as amarras sociológicas que impedem um deslanche institucional mais republicano ao Paraná, e especialmente Curitiba, como centro de poder, está o peso da sociedade cartorial. Percebe-se isso nitidamente no fato de que no cumprimento das metas do CNJ em processos de improbidade e crimes contra a administração pública o nosso Tribunal de Justiça aparece em antepenúltimo lugar com 25% de atendimento à frente só da Bahia (11,44%) e Piauí (8,33%).
Sempre tivemos um clichê, um arquétipo, a respeito do feudalismo do nordeste como se fôssemos um exemplo distanciado de sociedade aberta e não oligárquica, fato que todo dia é contestado como rotina. É claro que essa estatística e sua análise nada têm de seguras cientificamente, mas deixa a evidência de que tais condicionantes culturais são persistentes.
Um dado político é forte demais para ser neglicenciado: de 1982 para cá tivemos quatro vezes a família Requião como postulante, os irmãos Dias várias vezes, Richa e Lerner duas vezes. Um revezamento familiar que aliás se reproduz na área mais desenvolvida do país, no sudeste, São Paulo com o revezamento de Serra, Alckmin; Minas com a raiz de Tancredo em Aécio, Pernambuco ainda sob a família de Miguel Arraes e do seu candidato presidencial, Eduardo Campos.
A utopia mais próxima ainda não alcançada é a construção da República porque a proclamação não passou de pura formalidade e sem sangue que veio pouco depois com a nossa maior guerra civil, a revolução federalista.
Cobaia
Depois da constatação de 57 graus numa estação-tubo, a prefeitura da Capital faz uma experiência de "tempero térmico" na estação Osternack do Sítio Cercado. Até agora quem sofreu foi a cobaia humana.
Sinal verde
O encontro de Beto Richa com o procurador de Justiça anteontem facilitou o clima entre as pastas conflitantes, acordado ontem. O Gaeco escolhe policiais que irão integrá-lo e a PGJ faz a intermediação. Quanto a Cid Vasques há o aguardo da decisão do STF. Que afinal não virá tão cedo (trata-se de assunto menor, provinciano) e impera o armistício, mas a rejeição do MP está viva.
Tartaruga
Temos uma greve (a dos Correios, que já foi a instituição pública de maior credibilidade do Brasil) e a operação-padrão no Porto de Paranaguá, ambas voltadas por um demônio ideológico da moda, em que qualquer terceirização é vista como privatização que enche a boca da esquerda genérica e da xenofobia nacionaleira. O respeito à expressão tem quase o feito místico do Shazam que fazia aparecer o Capitão Marvel e tanto que os covardes do PSDB pressionados pelo petismo, em plena eleição presidencial, não assumiram sequer feitos importantes como o da telefonia celular para fugirem ao anátema da privataria.
Folclore
Nos anos 80 os delegados de polícia fizeram uma greve, na verdade também uma operação-padrão. Como uma das suas atitudes foi a de não efetuar prisões para averiguações, velha deformação da área, o nível de violência caiu de tal forma que dava impressão que sem polícia tudo seria melhor. À época eu e o Milton Ivan Heller, no comando do "Correio de Notícias", publicamos conto "nonsense" de Valêncio Xavier sobre uma greve de ladrões e suas consequências no aparato policial-judicial condenado à inutilidade.
Fetiche
Uma das heranças do Estado Provedor, hoje impossível, está na defesa, nem sempre racional, que se faz de estatais (municipais, inclusive, como a Urbs na capital e a Sercomtel em Londrina) como um ato de abdicação e de fuga. Desde a gestão de Nedson Micheleti, embora petista integrado, se cogita de rever os fundamentos da empresa e de sua operacionalidade. De lá para cá ela recebeu aporte societário da Copel e agora o prefeito Alexandre Kireeff admite abrir o debate sobre a privatização no segundo semestre.





