LUIZ GERALDO MAZZA
É calma a noite
Embora às voltas ainda com a resistência do Ministério Público ao Cid Vasques como secretário de Segurança e tentando, por via administrativa e judicial, derrubar os vetos a recursos federais e internacionais e ainda por cima com a inclusão do seu irmão Pepe em denúncia, o governador não perde a cabeça: tanto que anteontem à noite jogava sinuca no bilharito do Bar do Torto, fundamento da Quadra Cultural, criada pelo Magrão, ora combatida pela Fundação Cultural, que tem medo do PT como punk de desodorante.
Ostracismo
O presidente do STF, Joaquim Barbosa, reclama de a mídia dar corda para os réus do mensalão. Segundo ele, deveriam ser condenados ao ostracismo pela população. Tratava-se, historicamente, de um degredo provisório, em que se inscrevia em conchas ou peças de cerâmica o nome do atingido.
Esses réus nada têm de comum, mas no regime militar, com todos os bloqueios, se permitia, de vez em quando, uma palavra do condenado ou referências sobre ele. No caso do ostracismo, que originariamente vem de ostra, diante do padrão das figuras e dos seus hábitos, é possível uma referência a uma alimentação na base do molusco: a crua ao natural com limão, a vinagrete, e a gratinada ou a ensopada. E com sorte algum pode achar até uma pérola.
Transparência
Essa criação do novo Centro Cívico da capital não passou por uma discussão com a sociedade: o argumento de que haverá economia de alugueres é a mesma que levou a deformação dos edifícios do TJ, TC, Assembleia e respectivos anexos. A burocracia não segue uma visão webberiana, racional, mas a de criar espaços infinitos para acolher aspones e bagrinhos, conforme a cupidez dos políticos, cuja imaginação começa e termina aí. Gustavo Fruet fala muito em transparência repetindo o discurso da fauna: quanto mais falam, mais ocultam.
Mais comissão
Estão querendo botar o metrô num torniquete: agora o TC anuncia comissão de onze técnicos para avaliar a obra desde o edital. Se olharem a Linha Verde, a reforma da Rodoferroviária e do Terminal de Santa Cândida, mais o novelesco processo de desalinhamento das estações-tubo saberão das dificuldades que colocam em questão a eficiência da nossa engenharia. No Juvevê o asfalto já foi refeito quatro vezes pelo desconhecimento de que ali passa um rio.
Chacina
Geografia da violência muda: após a morte da professora, tivemos ontem a chacina de quatro pessoas no Atuba. A população está aterrorizada.
Folclore
Mário Celso Cunha, secretário estadual da Copa, ao saber que prefeitura e governo não botam mais um centavo nas obras, viajou ao Rio e Brasília para ver outras fontes de recursos. Pouco antes de assumir o posto, teve aquele ato falho de dizer que o normal é tocar as coisas e depois o governo pagar. Quem diz a verdade, como ensinavam as vovós, não merece castigo.
Acumulando energia
As mais recentes manifestações contra a Copa, na verdade um pretexto como foi o das tarifas de ônibus, devem acumular energia para demonstrações ainda mais vigorosas na época dos jogos. Na Copa das Confederações houve várias tentativas de invadir estádios. Governo, que não gosta de condenar abusos, para posar de identificado com ações sociais, diz que vai apenas observar. Como faz, aliás, com todos os problemas nacionais.





