Golpe ou reparação
Na próxima quinta-feira, o Gaeco, por suas representações nos municípios, se reúne em Curitiba para avaliar os desdobramentos com a crise que o esvaziou e analisa as ações defensivas que poderia exercer para não permitir a extinção do núcleo que tem histórico excepcional na cassação e prisão de políticos e de empresários. Enquanto o governo acha que é uma prerrogativa sua fazer rodízio de policiais civis e militares a seu serviço, todo o Ministério Público (e para isso se manifestaram suas instâncias administrativas do Conselho Superior e do Colégio de Procuradores) defende o fim da licença que permite seu procurador Cid Vasques continuar na Segurança.
O governo está em guerra com as atribuições do MP e parece que nesse tipo de ousadia, que extrapola a convivência habitual, usa a arma mais ofensiva, já que os procuradores esgotaram seus esforços num convencimento malogrado. Por sinal que o MP abriu investigação sobre o caso Pepe Richa da "IstoÉ".

Rolê
Bife rolê é mais convincente do que rolezinho pelos fracassos seguidos do Shopping Mueller e do Pátio Batel, em Curitiba, no primeiro com 30 figurantes que fizeram um auê de 20 minutos e no último com nenhum dos que assumiram a participação nas redes sociais comparecendo. Já a baderna anti-Copa rendeu estragos. Incrível é que grupos de 30 a 50 pessoas imobilizam as autoridades. Dá para imaginar o que fariam se fossem 500 ou mais de mil ou ainda uma invasão de soldados ianques, que não sai do imaginário populista-nacionalista.

Desgoverno
Como o governo está financeiramente quebrado, não espanta que as tarifas da Sanepar subam pela quarta vez, agora em 8,17%. E assim será com a joia da coroa, a Copel, que na quarta passada bateu recorde com 5 mil e 400 megawatts de produção, a maior da história, superior a de novembro de 2013. É verdade que as empresas públicas tiveram suas tarifas deprimidas na gestão Requião com atritos seguidos com a Aneel.

Carnaval
Na capital, tanto o pré (Sacis e Garibaldis e desdobramentos como o Psyco Carnival e o Zombie Walker) como o Carnaval vão todos para a Marechal Deodoro. Depois disso resta baixar um decreto que transforme catatônico em rebolador, um desafio permanente a marqueteiros e antropólogos de plantão.
A preliminar de Momo é melhor do que a principal. No passado esse papel era extremamente grosseiro traduzido no entrudo dos portugueses que jogavam farinha e água suja nos participantes num "pastelão" de mau gosto. Rolezinho casca grossa, pitencântropo erectus.

Folclore
Sobre o comportamento anticarnavalesco dos curitibanos tenho uma história clássica: Lerner trouxe um trio elétrico para a cidade e eu encontro a figura popular do Esmaga (Alvino Cruz) na Praça Zacarias quando o artefato baiano passou pela área com suas luzes e sons e convidei a figura a dar uns passos, abraçando-o. O Esmaga, olhando espantado para mim, faz a pergunta clássica: fica bem para nós? Essa inibição de um homem da rua, disponível como poucos, é a tradução do curitibano, que com seu olhar de Medusa magnetisa e paralisa o mais embalado folião, mesmo quando atacado da dança de São Vito.

Registro
Nem um recém-nascido com HIV em Curitiba. É quando o zero vale dez, mil.

Esforço
Beto Richa briga em várias frentes para reduzir os ônus com aposentadorias: uma ação no STF, que já passou por Marco Aurélio e agora está com Levandowski, tenta retirar os gastos previdenciários na rubrica de pessoal e uma outra visa desconsiderar dispêndios em universidades estaduais (o fundamento é de que deveriam ter sido federalizadas). Prova de que se mexe, mas não convence.

Guerra
Fruet promete operação de guerra pela conclusão da Arena. Como ele e Beto Richa decidiram não por um tostão na obra as coisas complicam e corremos o risco do vexame que tira todos os títulos dos "modelos" curitibanos.

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