Protagonismo indispensável
O lado mais positivo da "fricção" intrapoderes, especialmente no caso dos depósitos judiciais, é que ela rompe o ritual habitual da sincronia nem sempre justa, ainda que conveniente, no intercâmbio de cordialidades. O governador tem razão quando diz que se faz um terremoto em cima do caso, mas é preciso lembrar que se não é nem tufão, nem ciclone, não lhe assenta bem a marca de traque baiano ou de espanta-coió das festas juninas. Ou de um pum no elevador.
O tema é grave porque regulado em lei e que no caso foi, ainda que sem má fé, como argumenta Beto Richa, burlada conforme se apurou ao longo das conversas da OAB com o presidente do TJ e a secretária da Fazenda, Jozélia Nogueira. A intervenção da OAB, feita na salvaguarda dos direitos desses credores, já se sinalizara quando da sua primeira ação junto ao CNJ, cuja proibição deveria levar o Executivo aos cuidados de uma contenção cautelar para não expor-se.
Um mínimo de conflito até mesmo no convívio tripartite é saudável como se viu nos rachas sobre a competência para cassar parlamentares e na resistência, de repente, aos excessos do ativismo judicial substituindo funções legislativas como em vários casos como o do aborto de anencefálicos e do casamento gay, matérias que se levadas a plebiscito poderiam ter outra orientação.

Outra evidência
Um outro dado saudável do momento paranaense é o racha entre o Ministério Público e a Secretaria de Segurança. Todas as instâncias administrativas, já esgotadas, exigem a saída do procurador Cid Vasques pela cassação da licença para ocupar o posto. Prerrogativas relevantes de um estamento, a Procuradoria Geral de Justiça, entram em choque com as interpretações sucessivas que o TJ vem dando, desde o presidente afastado, Clayton Camargo, no amparo à pretensão do Executivo que leva a defesa do seu auxiliar ao paroxismo.
Reclama o Ministério Público que o Gaeco foi esvaziado com o rodízio mas o governo argumenta que há recusa dos agentes civis e militares. O fato é que pegou mal a instituição do rodízio depois que uma quadrilha de três delegados e agentes foi flagrada chantageando lojistas de peças e acessórios oriundas dos desmanches. Ficou visível a intenção de brecar o Gaeco até porque captaram uma conversa entre um secretário de Beto Richa, o celebrado Ezequias, e ela foi levada à mídia.
O atrito não pode ser permanente, mas é saudável.

Meio ambiente
Moradores de condomínios do Bacacheri se uniram de novo em defesa do pinheiro da área próxima ao aeroporto e que a Aeronáutica, desde 1998, tenta cortar alegando que atrapalha operações. Numerosas árvores do bosque da Sociedade Duque de Caxias foram podadas e até derrubadas por esse motivo.

Na mesma
Boletim de balneabilidade do IAP recusa dois pontos nas praias, mais dois em Morretes e um em Antonina (Ponta da Pita). Se a Sanepar agisse interativa com prefeituras zeraria a questão. Basta lembrar que até há pouco tempo o esgoto dos três poderes, apesar de sua nobreza, era lançado, cru, no Rio Belém no belo e majestoso Centro Cívico. Ecologistas, à maneira de Lula, nada sabiam.

Contra a Copa
Outro dia manifestação contra a Copa, infiltrada, gerou quebra-quebra de proporções em Porto Alegre. Hoje está marcada uma em Curitiba que já teria três mil adesões na internet. O rolezinho de ontem do Shopping Mueller provou que nem sempre a adesão digital funciona: cerca de 30 manifestante deram alguns gritos de guerra por 20 minutos e tudo findou.

Folclore
O valor das palavras: tanto Beto Richa quanto Gustavo Fruet prometeram e de forma solene que não haverá mais grana grana pública para a reforma da Arena da Baixada. Como ambos têm aspirações políticas e em fronts diversos não haverá como fugir da cobrança, ainda mais em ano eleitoral. Devem, todavia, estar avaliando se haverá maior desgaste do que ficarmos sem a Copa e aí esse argumento pode ser fatal.

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