LUIZ GERALDO MAZZA
A mistura fatal
A maior das marcas do patrimonialismo, que impede o afloramento efetivo da República, é o "mix", a mistura, entre o público e o privado. Há quem já esteja comparando, aqui no Paraná, o comportamento do governo estadual com o dos gestores da Copa do Mundo, por causa dessa confusão em mexer na massa de depósitos judiciais como se pudessem, num passe de mágica, ser tomados pelo governo em absoluto desprezo à sua origem privada.
Havia mais do que uma advertência ao poder púbico quando a OAB-PR foi ao Conselho Nacional de Justiça e lá obteve medida cautelar com o fermento do Caixa Único no acesso a depósitos judiciais. Havia uma pretensão de botar a mão no total recolhido supostamente, ao menos na versão oficial, no modelo adotado pelo Rio Grande do Sul, que lá conta com o banco estadual como fidelizador desses recursos. E agora, como se deu ontem, a OAB, na vigília desses recursos que pertencem a credores, se reuniu com a presidência do TJ para apurar eventuais erros de manobra.
A suspeita é a de que no desespero de atender o pagamento das folhas do funcionalismo estadual, que representam isoladas R$ 1,2 bi, montou-se a solução do Caixa Único e, em consequência, o indevido acesso aos depósitos que agora o governo parece admitir tê-lo feito equivocadamente e dispondo-se a devolver o que foi sacado irregularmente.
Como o CNJ e o STJ já andam de olho nas coisas aqui praticadas em função de um acordo geral para a eleição de Fabio Camargo, só falta isso, algo como um acesso indevido aos depósitos judiciais, para colocar mal os três poderes de Estado em suas relações de convívio.
Não é venial
Tenta-se, uma vez mais, dar o tom de pecado venial às manobras oficiais. É uma linha bem parecida com o caso Ezequias Moreira que, apanhado botando a mão na grana da sogra funcionária fantasma, foi premiado pelo então prefeito e depois pelo governador Beto Richa para funções mais elevadas em razão de uma amizade inabalável e também para garantir foro privilegiado no processo em andamento.
Também o caso de pecado mortal do Eduardo Gaeviski, assessor de Gleisi Hoffmann que teria abusado de menores em situação de risco. Ao menos não teve padrinhos para evitar que sofresse as sanções de lei e aguardasse o processo na prisão.
Contágio
O presidente da torcida "Os Fanáticos", Julião Sabota, ex-vereador de Curitiba, fez proclamação pública em favor dos baderneiros de Joinville, exaltando-os como heróis, e dias depois atleticanos armaram, anteontem, tumulto num ônibus e acabaram no xadrez. A Lei de Segurança Nacional formava o nexo entre uma coisa e outra em função do que chamava de "fatores psicossociais".
Repique
Nossas autoridades precisam se benzer: Gustavo Fruet, irritado com a blogueira que denunciou maus tratos no zoológico, ameaçou-a com interpelação judicial e horas depois houve o roubo de três bichinhos do Passeio Público, incluindo um pavão. Agora lançou uma revista que exibe na capa o investimento máximo em saúde em 2013. No mesmo dia os hospitais filantrópicos denunciaram falta de repasses federais da ordem de R$ 40 milhões. Descarrego urgente.
Folclore
Nerinho Malucelli está no Internato Paranaense e sugere a seus companheiros de mesa que as cozinheiras passam nas axilas uma fritura de carne antes de levá-la ao refeitório. Enojados os companheiros rejeitavam o prato e o Nerinho os comia por saber que havia mentido num caso máximo de injustiça distributiva.
Gregoriano
O cartel do transporte coletivo está irritado com o presidente da Urbs que os levou a gastos judiciais para obrigá-lo a repassar recursos. Piada não resolve crise, mas disseram que o calendário de pagamentos dele é gregoriano e em sentido bem caricatural.
Política
Governos querem que conjuguemos o verbo coonestar e não contestar.





