LUIZ GERALDO MAZZA
O apocalipse
Se a Copa não sair em Curitiba pega mal para nossos dirigentes municipais e estaduais, um impacto ruidoso em todos os mitos dos nossos modelos e mais um traço inequívoco de irresponsabilidade.
Todavia não será o fim do mundo até porque os imaginários retornos que decantaram não viriam como o maná bíblico anunciado e ao revés pudessem até expor ainda mais nossas deficiências.
Governo e prefeitura estão visivelmente quebrados e se comprometem a não mais botar grana na parada, menos por apego à austeridade e respeito a prioridades obviamente mais relevantes, mas simplesmente porque o caixa estourou.
Uma espécie de strip-tease alcança os pândegos que deitaram e rolaram na promoção da festa como se fossem pessoas afinadas com os desejos mais profundos de sua população e agora não sabem ao que recorrer para atender as exigências mínimas da Fifa e dos seus superpoderes.
Esse recolhimento não garante que haja recuperação do equilíbrio perdido, que o governo injetará recursos na Paranaprevidência (para os panacas a Copa é mais prioritária como também de garantir alimento a presidiários), que a prefeitura deixará o ritmo de tartaruga nas obras e se tornará eficiente. Pelo menos a reflexão mínima possibilita enxergar o quanto enganaram.
E agora?
Primeira constatação para atender a necessidade de aumentar o número de trabalhadores na construção da Arena: o mercado está saturado e não existe mão de obra disponível. Quando da construção do Centro Cívico, em 1952, foi indispensável importar trabalhadores, inclusive do nordeste, e isso em virtude de o ritmo da construção civil em Curitiba se encontrar em pleno emprego, daí um acordo entre governo e Fiep para aquela excepcional (e até hoje a maior intervenção urbana) conjuntura. O tempo urge e ruge, o passado ensina.
Gritar já!
Quem tiver reivindicações ao governo deve estrilar já para evitar que a Copa se transforme em prioridade num momento em que a autoridade é acusada de botar a mão indevidamente em depósitos judiciais, quando se sabe que delegados e superintendentes de delegacias usam o próprio dinheiro para atender necessidades imediatas, que os hospitais filantrópicos (aí a responsabilidade é da prefeitura) estão em crise com um crédito superior a R$ 50 milhões, também os servidores estaduais precisam chiar com o fato de Beto Richa não estar fazendo o depósito de R$ 260 milhões mensais (retroativos a janeiro do ano passado) para recuperar o capital do fundo de pensão e na lista devem entrar empreiteiros e prestadores de serviços antes que se faça mais bobagem.
Torcida
O presidente da Câmara Federal, Henrique Eduardo Alves, entende que se a Copa sair de Curitiba deve ir para Natal. O Brasil é assim, pequeno, suburbano.
Repique do senador Requião no twitter: "Vade retro, Henrique. Vire essa boca pra lá".
Ritmo
Outra lição para nós: o Ximenes não ficou um mês no Fluminense e o cortaram, aqui levou anos enganando no Coxa e quase jogou o time, outra vez, na segundona. Visto como gênio, do qual a diretoria era, notoriamente, refém.
Folclore
Na linguagem de malandro costumava-se dizer, na gíria dos anos sessenta, que uma bronca muito grande era uma "bronca de metro", agora é de metrô aqui, em São Paulo (denúncias de propina da Alstom já na gestão de Mario Covas), em Brasília, na Bahia, em Recife (vagões separados de homens e mulheres, conforme pleito da praça, anterior à proposta do ônibus pantera de Curitiba).
Desodorante
Alvaro Dias disse "eu saí do PMDB, mas o PMDB não saiu de mim!". Uma espécie de Rexona que não te abandona. O fato é que o PMDB não sai é do governo. Vide a bancada do legislativo estadual.
Medicina
O supositório pode, sim, ser uma suposição clínica.





