Copa garantida?
Deu o óbvio: a Copa sai em Curitiba, desde que apronte o estádio. O que não pode é tanto o governo estadual como o municipal ficarem transformados em refém do maior beneficiário do evento, o Atlético Paranaense, tanto que até o sacrifício de não poder usar seu campo o beneficiou diante da campanha do time no nacional que o levou a Libertadores.
Se estivéssemos em tempos normais, os clubes paranaenses reivindicariam as mesmas benesses do poder público para seus estádios, como a daquela toada do regime militar em que se num Estado a Arena ia politicamente mal se punha mais um time no nacional.
A Copa do Mundo sempre teve o poder anestésico, ainda que ao seu final ninguém possa garantir que traga efeitos mais benéficos do que ruins, embora seus alegres promotores, como se viu durante longo tempo, exibissem sorrisos como se fossem eles, mais do que ninguém, os criadores da festa. Dá para lembrar da ida do Pessutão ao exterior festejando a sediação de jogos no Paraná bem como a euforia dos secretários estadual e municipal.
Quando houve a hipótese de um plano B (ainda não afastada, pois dia 18 de fevereiro nova comissão da Fifa virá aqui para ver se está tudo nos trinques) aí os alegres ficaram mais contidos e recuperamos o raciocínio. A sisudez se fez milagrosa. Não foi puxão de orelha do Valcke, mas pé no traseiro.

Ofensiva
Emparedado pelas denúncias dos guardas de presídio (que estão em campanha de renovação de diretoria e querem aumento salarial) o governo saiu da retranca e ontem fez varredura na Penitenciária Central utilizando equipes do Depen e do Bope da PM. Afirmou também que há exagero no suposto domínio do PCC e que as gravações antigas já eram do seu conhecimento. Mostrou energia, disposição, mas não diluiu o peso e a gravidade das denúncias de que o sistema é refém dos presidiários. Fica uma palavra contra a outra. Empate em casa é derrota.

Bibinho
O Gaeco já recorreu da decisão judicial que beneficiou parcialmente o Bibinho como no caso da falsidade ideológica e também da pena estabelecida. Como o principal acusado do processo dos "diários secretos" até hoje não falou e o seu advogado limita-se a abordagens técnicas, inclusive a de que Abib Miguel é rico na condição de produtor de soja em Goiás e que isso precederia a atuação como diretor geral da Assembleia, fica-se sem o conhecimento do outro lado, afinal o contraditório.

Campanha
Feitos do governo (na verdade das concessionárias) são a grande bandeira da reeleição de Beto Richa. Desde a semana passada em dois pontos da BR-376 entre Ponta Grossa e Apucarana há placas anunciando a duplicação do primeiro trecho que seria de 13 km. A duplicação de Campo Largo já concluída, sem ter entrado em operação, vai dar ideia de como se fará a propaganda. Isso lembra o ocorrido com a ligação com Santa Catarina que nada menos de três governos a exploraram ainda em construção. Com Alvaro Dias houve até perdas de aterros pela demora e a ocorrência de chuvas, depois Requião e Lerner se revezaram no pedaço badalando slogans em cima da "rodovia da morte" em institucionais.

Folclore
Quando Ney Braga mostrou para Jânio Quadros as duas obras: a estrada do Café e a ferrovia Central do Paraná o compulsivo demagogo cobrou o fato de estarem gastando demais com vias concorrentes. Inútil explicar para o "bruxo" que modais diferentes atendem demandas específicas, tarefa melindrosa que coube ao coronel Alípio Ayres de Carvalho que, além de saber tudo em mínimos detalhes, daí porque chamado de "Professor de Deus", era um diplomata.

Absurdo
O governo está quebrado: não repassa obrigações à Paranaprevidência (prometeu sem cumprir a cota mensal de R$ 260 milhões retroagindo até janeiro de 2013), não consegue tranquilidade para pagar funcionários, empreiteiras e prestadores de serviço e seria extremamente irresponsável se assumisse a parte maior dos dispêndios com a Arena da Baixada. Que se vá a copa, salve-se a cozinha.

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