Ao vivo e em cores
Falando em Londrina sobre a crise penitenciária, que alcança fortemente o Paraná, o governador Beto Richa tentou sugerir que tal se repete em todo o país inclusive no que concerne às facções criminosas como o PCC como se o fatalismo não merecesse sequer reflexão ou resistência. Para quem viu a manifestação dos presidiários com palavras de ordem e referências ao grupo a que estão filiados mais a declaração dos guardas de que o sistema está dominado pelos sentenciados que ainda por cima ameaçam as suas famílias a observação do nosso governador soa distante como se fosse de outra galáxia.
No momento em que o Paraná é usado como modelo suposto para aplacar a fúria do Maranhão é indispensável que as imagens desse caos, também paranaense, percorram o país para que se entenda o sentido da intervenção da OAB junto à área de Direitos Humanos da OEA. Direitos humanos dos presos e familiares, mas também dos guardas de presídio e família e, mais ainda, pelo fim da anomia reinante com o domínio do sistema por grupos do crime organizado. Isso aí é mais do que uma prova de deserção da autoridade e de mórbido conformismo.

Choque de lealdades
Há duas lealdades em jogo no cabo de guerra entre governo e Ministério Público: a do governador e dos servidores da Segurança a Cid Vasques, que tem dado bons resultados como a queda da criminalidade, e a dos procuradores em defesa do Gaeco e de sua ampla atuação, o que foi apurado claramente nas instâncias administrativas adequadas, o Conselho Superior e o Órgão Especial do Colégio de Procuradores.
Obviamente não tem sentido a manutenção do cisma entre a Segurança e o MP por agirem necessariamente de forma interativa por imposição processual. O fato de Cid Vasques ter proposto o revezamento no Gaeco justamente em cima da prisão de três delegados e numerosos agentes que tomavam dinheiro de empresários ligados ao ramo de peças e acessórios com origem em demanches é que pegou mal, mesmo na hipótese de reação à espetacularização extrema das denúncias.

Rolezinho penal
Com palavras de ordem da Revolução Francesa, acentuando liberdade e igualdade, tivemos o rolê da penitenciária. São os dois polos da democracia como ensina Norberto Bobbio: a liberdade à direita, igualdade à esquerda. Não se obtém nenhum deles sem autoridade e essa está ao desvio.

Motim
No presídio feminino um motim: causas variadas como superlotação (espaço para 130 há 170) e a permanência de sete crianças, duas delas com febre. Ontem houve conciliação com o pessoal do Depen levando advogados para ver a situação das presas, pois há caso de quem já cumpriu pena e lá permanece.

Folclore
Já em junho passado quase tivemos invasão do parlamento e Itamarati e agora só falta um rolezinho no Congresso Nacional ou, quem sabe, com ocupação de campo, em jogos da Copa. O hábito de tudo descriminalizar dá nisso. Para os mais tolerantes aquele caso da Al Qaeda nas torres gêmeas nos Esteites foi também um ato de gincana aérea que perdeu o ponto da curva.

Passe livre
Não há passe livre nem em sessão espírita. Por sinal que a Faculdade espírita desencarnou, mas deixou prejudicados como fantasmas.

Poluição
Empresa de porte que operava com produtos químicos em Paranaguá pegou fogo e ainda por cima poluiu com tóxicos o rio Emboguaçu. Detalhe: não tinha licença.

Reforminha
Tanto Beto como Fruet andam com reforminha. Fruet aboliu a Secretaria de Relações Institucionais, logo aquela que Richa deu para o Ezequias. Sutil demais para ser olhada como provocação.

Sondagem
Não é tão boa como se viu, anteontem, a receptividade ao metrô.

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