Cerco total
O medievalismo presidiário não é apenas o do Maranhão e seu teatro macabro, mas de todo o país. E por isso a OAB nacional recomendou às seccionais que avaliassem, em cada Estado, a situação do sistema. Por essa razão óbvia é que o Paraná também assina manifestação nacional denunciando o Brasil como grave infrator na área de Direitos Humanos na Organização dos Estados Americanos que já condenou nossos dirigentes, Requião e Lerner, pela morte de sem terras.

Rolezinho
Vivemos o ápice do liberticídio de um modo geral: a mídia olha com simpatia o rolê da gurizada como direito de livre manifestação e a repressão policial, no caso indispensável, como indevida. Daí termos também uma convocação para um deles, no próximo domingo, no templo dos ricaços, Pátio Batel.
Como não dá para identificar hoje marginal pela roupa, já que o traje é a mais pura expressão mimética, esse movimento é facilitado só que como no caso de junho não há como impedir a infiltração dos black bloc por exemplo e aí o que aparenta ser um ruído juvenil vira um estrondo.

Metrô
Ontem houve a audiência pública do metrô quando no desalinhamento das estações tubo, o asfalto já foi refeito quatro vezes e isso por causa de infiltração do rio Juvevê. Não conhecem o subsolo e vão tocar o tatuzão.

Culto à persona
Uma revista enorme glorificando os feitos de Valdir Rossoni sugere que sob ele o Legislativo fez economia de R$ 400 milhões em três anos que apenas serve para acentuar a incompetência de gestão do seu aliado, Beto Richa, que entra em pane à cada fim do mês para fechar a folha do funcionalismo de R$ 1,2 bi.
Moralismo exacerbado tem uma história no Paraná: a de Leon Perez que enchia o peito para destacar seu comportamento e acabou expulso de campo, flagrado com a mão no jarro.

Folclore
A denúncia dos guardas de presídio de que eles são reféns endêmicos dos presidiários, deitando e rolando na gestão do sistema, prova de que chegamos ao máximo em termos de participação: o preso manda nos que o prenderam. Uma espécie do "tudo dominado" que às vezes se reproduz no poder instituído como por exemplo num racha de privilégios no legislativo que impeça seus componentes de abrir a boca, tal qual se deu tantas vezes, por estarem todos, a um só tempo, comprometidos...

Ceticismo
Encerrada uma das etapas da classificação dos motoristas aptos a novas placas (as 750) ainda reina o ceticismo de que venham a exigir dos contemplados que operem os veículos por ter essa exigência não prevalecido em outras unidades como se deu em São Paulo. Igual enfim aquele requisito da reforma agrária "a terra a só quem nela trabalha". Lógico, cartesiano, mas inviável.

De novo
Não é o senador Requião que segura agora os R$ 817 milhões do Proinvest e sim uma verificação no Ministério da Previdência diligenciada por outras áreas do governo federal. Requião tenta faturar o evento para manter o estilo de durão e inflexível, mas fiscais detectaram manobras para maquiar as contas, daí terem antecipado a inspeção.

Coitadismo
Um dos nossos cacoetes é o da comiseração com os coitados. Na infância ouvia o epigrama "coitado é filho de rato que nasce pelado". Como os provérbios do Marquês de Maricá é deficiente porque não há apenas o rato nessa condição. Além do mais há outra interpretação: coitado é aquele que sofreu o coito sem desejá-lo, bem mais contundente.

Filosóficas
Marx, tido como determinista histórico, torna-se um voluntarista com o apelo à luta de classes no Manifesto Comunista elaborado com Engels. Luta continua, mas o muro foi uma pedra no caminho, menos poética do que a de Drummond.

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