LUIZ GERALDO MAZZA
O sumiço das ideias
Estamos, finalmente, em ano eleitoral e isso significa, antes de tudo, o sumiço das ideias e o predomínio de sua contrafação: o recurso da superficialidade do marketing substitutiva da forma primária de pensar. Diz-se que o tema crucial da campanha será em cima da saúde pública, o que seria um ganho em relação a uma polêmica em torno da quebra financeira do governo gerada pela desatenção da União, bate-papo em que se empenham seguidores de Beto e Gleisi.
Nem mesmo os debates que poderiam revelar melhor os candidatos escapam da tirania dos marqueteiros se dão em nível aceitável porque, além do esforço para transformar os contendores em bonecos televisivos (o cuidado com a cor das gravatas e o desalinho da roupa esporte), enquadram de tal forma a suposta contenda que a tornam um xarope, tal o número de vetos que delegados de partidos colocam nos acertos preliminares. E isso não é de hoje, mesmo quando havia uma temática mais adequada como a visão do futuro próximo do Paraná, a pasteurização imposta impedia uma identificação precisa dos disputantes face a problemas objetivos.
O vexame
O presidente da Fifa, Joseph Blater, disse verdades duras sobre o grau de irresponsabilidade do Brasil (o que estaria ocorrendo pela primeira vez numa Copa) no compromisso quanto à construção de estádios. Basta ver o que se deu com o estádio do jogo inaugural, o Itaquerão, com acidente e mortes e a desconfiança de que não estará inteiramente concluído e com o exemplo a nossa frente do andamento, em ritmo tartaruga, das obras da Arena da Baixada.
Um compromisso moral - o de que não haveria predomínio de dinheiro público - já está mais do que descartado. Quando sediamos o Pan no Rio havia a promessa até de despoluir a baía da Guanabara e a herança foi a superação de gastos dos presumíveis R$ 700 milhões para mais de R$ 4 bilhões, o elefante comprometido do Engenhão, a degradação das obras da vila olímpica.
Dá para lembrar o oba-oba do então presidente Lula, de governadores, colecionando a sediação da Copa em 2014 e da Olimpíada em 2016 como um feito patriótico e de primeira grandeza. O tempo foi passando e estamos colocados, com justa razão, como irresponsáveis tal o frêmito com que celebramos as escolhas e o desalento com que cumprimos o acordado.
Bolsas
Se a adoção do Bolsa Família, já no governo FHC, era uma forma de discriminação positiva, era de esperar-se para que a iniciativa não fosse olhada como meramente assistencialista que com o decorrer do tempo e a sua conexão com a escolaridade faria com que gradualmente os beneficiários da mobilidade social dispensassem o auxílio por um novo "status". Acontece que ainda é reduzido o número de famílias que deixam de receber o auxílio, cerca de 200 mil ao ano, e elevado o número das irregularidades detectadas como o recebimento dessa ajuda por pessoas de classe média e da hierarquia política.
Sabe-se que apenas 11% dos 2,89 milhões de beneficiários estariam incluídos entre microempreendedores. Na medida também em que houver essa inserção teremos mais órgãos do governo empenhados na mobilização como o Ministério de Desenvolvimento Social e o Sebrae.
Água
O que está ocorrendo nos balneários não apenas do Paraná com a falta de água é prova também da falta de programação e que, certamente, se tornará veemente com os deslocamentos migratórios da Copa. A resposta oficial de que a demanda estava acima da produção e também acoplada aos desperdícios não exclui a responsabilidade da Sanepar até porque a praia é uma vitrine para o governo, suas ações e omissões, durante o verão.
Folclore
Só falta sugerirem que Maria Bueno, a santa popular, apoia um dos candidatos.





