LUIZ GERALDO MAZZA
Ainda bola e unidade
Nada mais pedagógico para exercícios de reflexão sobre unidade cultural do que o futebol. Embora violentamente contestadas as pesquisas mostram algo bem óbvio: o ardor pelos times da capital se dá na Grande Curitiba com esparsa e fraca representação no interior mesmo do Paraná meridional e litorâneo; a opção do oeste-sudoeste pelos clubes gaúchos é notória com o predomínio Grenal secundado à distância pelos caxienses do Juventude e Caxias; já ao norte há a hegemonia dos paulistas e distanciados mineiros e cariocas, especialmente o Mengo, o maior de todos do País.
É evidente que quando Londrina e Maringá se sobressaem (e no ano passado o Tubarão, em termos de pontos corridos, foi o de melhor desempenho) percebe-se a força de uma torcida deprimida capaz de levar 20 mil pessoas ao Café. E é a falta de sequência que impede uma consolidação do time local não apenas nessas duas praças mas também em Cascavel que chegou a um título dividido com o hoje Paraná. Essa percepção se dá em nível nacional e mostra que Flamengo e Corinthians dividem o estádio com as chamadas torcidas locais especialmente no nordeste.
Recentemente, num jogo do Coxa contra o Santos, sediado em Cascavel, havia uma relação de dez por um em favor do visitante, razão pela qual é possível esperar que se criem calendários e disputas que permitam o crescimento das torcidas locais nas várias séries do Brasileirão, embora o predomínio visível das séries A e B. Não custa lembrar o feito excepcional do Santa Cruz, com públicos de 40 mil torcedores, saindo da série D para a B e ainda por cima ganhando o Campeonato Pernambucano. Essa impressionante fidelidade é um referencial para mostrar a possibilidade, mesmo diante de adversidades que se aparentam intransponíveis, dessa redenção.
Autoestima em alta
Ninguém está como os catarinenses nesse ano com nada menos de três clubes na série A: o Criciúma, mantido, e os promovidos Chapecó e Figueirense. Feita a análise na perspectiva geográfica perceber-se-á que os times de regiões com peculiaridades econômicas e culturais distintas acabam projetando a diversidade regional. Aliás os catarinenses são beneficiários de uma forma de nucleação urbana assentada em fundamentos mais racionais: tudo começa com o fato de o principal município, Joinville (o time quase chegou na B), ser a maior potência econômica, o máximo PIB e Itajaí aparece à frente da capital, Florianópolis, cujo cosmopolitismo foi posto em realce nas festas de fim de ano em termos nacionais, como decorrente do seu desempenho portuário e de serviços.
Batemo-nos muito por essa questão de desníveis e os catarinenses o fazem com maior empenho e resposta: tudo começa na modulação municipal, o que favorece o sentido de uma unidade físico-cultural, posto que haja dissemelhanças entre o homem serrano de Lages e o litorâneo de fala cantada descendente dos açoreanos, que aliás estão presentes na costa paranaense.
O poder local
Quando Londrina, espantada, percebe que Joinville a superou em demografia, ela reage e busca forças para dar respostas. Da mesma forma - e aí o impacto é mais penoso - quando nota que Maringá já desemparelhou em alguns indicadores. Todo esforço interno por superação, empreendido na economia e na cultura, é válido e indispensável para que cada um dê o seu recado. Paranaguá, Marialva e Iporã fizeram festas especiais pelas campeãs mundiais de handebol, como Londrina celebra os feitos daqueles que começaram a jogar bola por lá como Fernandinho e Rafinha.
É nessa identificação heróica - seja do atleta ou do escritor, do empresário ou até mesmo do político, daquele que suplanta a raiz, como Beto rixa, repetindo o pai, que vindo do Rio fez carreira como prefeito de Londrina e governador, depois de ser presidente da União Paranaense de Estudantes - que se constrói no mosaico regional a afirmação paranaense e brasileira.





