Simulações com tatus
O Fuleco, símbolo da Copa 2014, pode nos levar à glória, mas o tatu, ainda não nominado de Gustavo Fruet, pode jogar a gestão do prefeito num buraco sem saída. Basta para tanto que o itinerário do metrô siga a mesma cronologia da inacabada Linha Verde ou do desalinhamento das estações-tubo, há mais de dois anos chateando a paciência do respeitável público.
Por que o candidato de Beto Richa, Luciano Ducci, perdeu de forma arrasadora a eleição mais recente? Simples: encheu a Capital de obras que jamais concluíram e subvertendo todas as normas orçamentárias, inclusive com muitas delas sem qualquer autorização legal, conforme se apurou depois. O imaginário público age diante do metrô, como suposta tecnologia fina, como a gente do interior cultuava as fontes luminosas, olhadas caricaturalmente pelos tecnocratas como expressão do desperdício como se nada representassem em termos de fantasia e até avanço como aquelas que além da variedade cromática eram sonoras.
Se o metrô adiciona recursos inegáveis ao PIB interno, o que é indiscutível, bate de frente em nossa tradição de cronogramas elásticos, tal qual se dá com os estádios padrão Fifa, inclusive a nossa Arena da Baixada que era para estar finalizada trás anteontem.

Arquétipos válidos
A história do prefeito fazedor contra o orador e conceituador se repetiu várias vezes em eleições de Londrina e Curitiba e que beneficiaram um criador verdadeiro o engenheiro, Wilson Moreira, elemento chave da gestão José Richa, e a de Curitiba em 1962 no confronto Ivo Arzua, sabidamente ruim de papo, contra o orador operístico, Carlos Alberto Moro. O estafe sacou o divisor de águas na frase "mais ação, menos conversa". Ivo era da aliança PDC-UDN-PL e cravou 51.511 votos contra 40.187 de Moro (PTB) e mais 17.023 atribuídos a Abílio Ribeiro (PSD). Londrina teve sua sequência de prefeitos criativos (Milton Menezes, Cabral, Fernandes Sobrinho, Hosken de Novaes) rompida pelo populismo de Belinati e Barbosa Neto. Curitiba foi beneficiada por gestões sequenciais que sustentaram o modelo básico de Lerner. O ciclo só foi interrompido por Maurício Fruet e Roberto Requião e agora por Gustavo, espaço suficiente para consolidar as propostas urbanas.

Modéstia didática
Perguntado, certa vez, como se sairia num debate com Roberto Requião, Lerner respondeu que Rafael Greca de Macedo contestaria em segundos o que ele levaria horas para rebater. Vitórias de Lerner, tanto para prefeito como governador, mostram que o público não se deixa iludir pela maior articulação verbal. O fato é que Requião bateu todos os recordes com a façanha de se eleger três vezes ao Palácio Iguaçu e fundado no talento oratorial. Já Bento Munhoz da Rocha, nosso maior orador, não conseguiu a segunda, disputada com Paulo Pimentel em 1965.

Radar
Bastou o emprego dos radares na Linha Verde para que fossem lavradas em dez dias 2.800 infrações.

Revoltinha
Abafada ontem uma encenação de revolta no 2º Distrito. O sistema é ainda uma bomba-relógio.

Folclore
Há anos tanto Lerner como Cassio Taniguchi prometem (e o fazem na minha presença por meu hábito de pescador) devolver lambaris do rabo vermelho ao rio Belém, o que me pouparia de longas caminhadas aos rios Negro e Iguaçu. Até hoje nada, a não ser a poluição permanente e mesmo o projeto de olhos d’águs nas nascentes na Barreirinha não passam de promessa. Lambari de acrílico não vale que ele afunda.

Obras
O PAC da Copa em Curitiba, segundo Reginaldo Cordeiro, secretário municipal da área, afirma que tudo está nos trinques a não ser as reformas do terminal de Santa Cândida, não prioritário.

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