LUIZ GERALDO MAZZA
Falta de água
Nas praias seria normal a deficiência no suprimento de água pelo aumento da demanda e face à fragilidade dos sistemas locais, sempre postergados em sua conclusão. Mas até para reafirmar que nas deficiências o Paraná está mais igual percebe-se que especialmente no norte paranaense, e não apenas na área polarizada por Londrina, mas alcançando o norte e o norte pioneiro, há forte escassez, e em Maringá aflorou um problema inesperado com a água escura e com odor. Nada menos de 13 dos 74 municípios do norte pioneiro enfrentam a crise. Em Arapongas há uma defasagem de 30% entre produção e consumo, daí predominar, como ocorre nas praias, o apelo à economia e evitar, além disso, o desperdício.
Só falta agora a Sanepar responder com marketing, como se deu com as denúncias de que lançava esgoto não tratado na bacia do Iguaçu, o segundo rio mais poluído do Brasil, suplantado apenas pelo Tietê. Como não haverá água, ao menos suficientemente nas torneiras, ela jorrará cromática nos anúncios muito bem bolados, o que atende à sede dos políticos. E ao fervor eleitoral.
A Sanepar só se coça quando algum município de porte, como Londrina e Maringá, ameaça romper o convênio com a estatal. No deserto há a miragem do oásis para sugerir a existência de água e aqui sobra a ação da propaganda, bem mais cara e que nós, os trouxas, pagamos.
Plano Diretor
No governo Paulo Pimentel foi elaborado um Plano Diretor para o Litoral, visando mais as praias. Obra do arquiteto Luis Forte Neto, previa inclusive a tal da ponte sobre a baía de Guaratuba. Na temporada agora dá para perceber a deficiência das amarras "urbanas": novamente o balneário de Gaivotas está há quatro dias sem água por causa dos limites históricos do serviço no local. A forma como se deu a retaliação do espaço, em pequenos loteamentos com os nomes de praias, na verdade iniciativas imobiliárias mal articuladas, é um dos fatores da crise à essa época.
Há contribuições do projeto de Forte Neto, que poderiam ser adotadas, pois o trabalho chegou a fixar parâmetros de uso da areia pelos banhistas.
O óbvio
Ao abordar as ações de saneamento na Capital, o prefeito Gustavo Fruet lembrou do óbvio, normalmente oculto: a ação comum do município junto com a Sanepar para evitar que em áreas em que a rede de coleta chegou haja abusos de proprietários que lançam a água servida na rede pluvial ou diretamente no rio.
Não faz tempo todo o esgoto dos Três Poderes de Estado do Centro Cívico era lançado diretamente no rio Belém com prefeitos e governadores insistindo na picaretagem axiomática de que somos um modelo ambiental.
A rotina
Quando ouvimos relatos como os de Beto Richa sobre o Paraná percebemos que ao longo do tempo, da época em que as coisas aconteciam até os nossos dias, a maior perda foi a rotina de estudo, reflexão e planejamento. Não temos articulação de ação e pensamento no que se faz ou até no que se sonha. Os saques são meros arranjos de propaganda e quando há uma razoável resposta num quesito como o da queda da mortalidade materna atribui-se o fato ao Mãe Paranaense. Se fôssemos como antes estaríamos a indagar porque levamos a pior na analogia com gaúchos e catarinenses em escolaridade e expectativa de vida. Essa era a rotina: confrontar indicadores nacionais do IBGE para perceber o nosso lugar nesse universo em que somos desafiados a melhorar.
Folclore
Definição de água era a de que se tratava de produto insípido, sem gosto, inodoro, sem cheiro e incolor. Era. Não deixa de ser uma revolução.





