Golpe na tradição
A decisão do Conselho Superior do Ministério Público, ratificada pelo Órgão Especial do Colégio de Procuradores de Justiça, cassando a licença de Cid Vasques por 16 votos a dois para que continuasse na Segurança, é prova de que a modernidade (o Brasil pós mensalão) vigora no Paraná. Até um comandante da PM, que foi contra o rodízio no Gaeco e por isso caiu, é prova de que quem conspirava era o governo no empenho em tudo manter sob férreo controle. O MP sai agigantado com a defesa de sua autonomia, conquistada arduamente na Carta de 1988 e aqui gravemente ameaçada nesse episódio lamentável.

Chance de redenção
Embora fechando as contas do funcionalismo estadual com a folha de dezembro, ficou visível o descontrole dos dispêndios e isso expresso no fato de apesar dos 17% de alta na arrecadação a máquina gastou mais do que podia. Agora há vários secretários que deixam as pastas para suas campanhas de reeleição na Assembleia e Câmara Federal, oportunidade excepcional para uma lipoaspiração no sistema e a redução significativa do número de secretarias.
Mas para um governo que pensa mais em reeleger-se do que em realizar algo de marcante é hipótese remota, já que os espaços referidos serão ocupados por pessoas destinadas ao cumprimento da missão obsessiva. Políticos não entenderiam uma atitude que foge ao posicionamento clássico, mas não seria preciso muita doutrina para justificá-lo e abrir até perspectiva de maiores investimentos com a economia obtida.
Esse não é o estilo e a marca do governo: seu senso de redenção é outro como o de premiar uma vez mais o Ezequias Moreira, aquele que drenava a grana da sogra fantasma do Legislativo estadual, ao designá-lo para acumular com as funções secretariais a de conselheiro da Sanepar. E com um detalhe: aprovado por unanimidade para a função. Isso é a cara do governo, seu senso moral, sua perspectiva de redenção.

Analogia
O ex-vereador de Curitiba Juliano Borghetti, ao ver-se flagrado na torcida do Atlético na batalha de Joinville com o Vasco, para não criar constrangimentos a Beto Richa, tomou a atitude, digníssima, de renunciar ao posto de Superintendente da Ecoparaná. Não está claro que tenha participação ativa nas agressões, mas como figurava no tumulto, acabou indiciado e está em cana, uma vez que o habeas corpus em favor dos acusados não foi acolhido na justiça catarinense.
Já o Ezequias, apanhado com a mão no jarro, festeja a passagem do ano com mais uma prova do seu prestígio no governo. Se tivesse pedido demissão, dos cargos em comissão, à época da descoberta do fato, nada aconteceria porque na perspectiva teológica do governador: pune-se o pecado, não o pecador, a não ser quando este pede demissão e ela é aceita. Em qualquer caso a decisão seria dele como se tentará ainda no da permanência do Cid Vasques, ainda que com um atrito aberto com o Ministério Público.

Desintegração
Como a Urbs aposta na desintegração do sistema de ônibus, governistas criarão uma instituição metropolitana estadual. Fruet acha que a batalha final será em fevereiro, mas pode se dar antes. Urbs tem visão conspiratória sobre a greve na empresa Mercês e a enxerga como locaute, a parede patronal. Esse assunto só se resolverá com perícia judicial e cada dia mais se estreita a hipótese do antigo entendimento. A integração tem treze anos, Fruet e PT podem detoná-la em apenas um ano.

Folclore
Copel promete investir R$ 2 bi em 2014. Como ela, à maneira da Cemig, anda a investir fora, de repente essa grana vai para outras áreas da federação.

Autoritarismo
Não se deve confundir autoridade com autoritarismo, pois inexiste liberdade sem o polo correspondente e dialético da autoridade. Um comandante PM caiu porque discordava do rodízio no Gaeco, fato revelado ontem na sessão do Órgão Especial do Colégio de Procuradores de Justiça. E a absolvição política apoiada com premiação do Ezequias Moreira é, além disso, prevaricação.

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