Luiz Geraldo Mazza
Crises passageiras
Tanto no governo estadual como no municipal de Curitiba não dá para ocultar a crise. Como um, o prefeito, está iniciando seu governo, acha-se justificado no que disse a respeito da herança recebida, cujas dimensões exatas não ficaram bem determinadas; já o outro, o governador, escapou do vexame maior que seria o não pagamento até o fim de dezembro das três folhas do funcionalismo, embora sofrendo as consequências de falta de combustível a viaturas policiais e da interrupção de obras, algumas de porte, por falta de pagamento, desistência de empreiteiras e até quebra de algumas delas.
Terminam mal, tanto o que se aproxima da conclusão como o que começa e já com hesitações que provavelmente definirão um estilo. Mas ambos acabam premiados por um cacoete da praça: de estarem bem, nas pesquisas feitas, com a opinião pública. Essa é uma velha condicionante da praça: o público ver os seus dirigentes como os melhores do país, o que é de uma superficialidade pasmante, embora aceita pelos ditos cientistas da especialidade, artistas do empírico.
Os estilos
Governos de estilos diversos, dos bons como Ney Braga e Paulo Pimentel aos medíocres como os que aforaram com as vitórias do PMDB e do PSDB, sua versão encabulada, sempre se deram bem nessas pesquisas. A exceção até hoje foi a de Luciano Ducci, que apareceu em 14º lugar num ranking nacional de prefeitos quando o normal, mesmo com Beto Richa, era o de pintar entre os três primeiros lugares. As pesquisas eleitorais repetem essa discutível identificação mesmo quando as evidências de má gestão, como se dá agora com a crise financeira, em desfavor do governador não o atrapalhe na avaliação política.
Nem sempre há surpresas, mas algumas deveriam servir de lição como a vitória de Requião, carregado às costas por José Richa, em 1985, sobre o imbatível Jaime Lerner, mito não apenas suburbano mas internacional, e a derrota do José Richa em sua tentativa de voltar ao poder e que acabou fora da disputa ainda no primeiro turno. A recente vitória de Gustavo Fruet também deveria ser levada em conta porque sua situação só melhoraria depois de derrubar Luciano Ducci no primeiro turno e moer, com 70% dos votos, o tido como fenomenal Ratinho Júnior, até então não testado em majoritária.
Não há pesquisa por aqui que não coloque bem o protagonista principal e apesar das mancadas históricas como a do Ibope, que deu menos de um dígito a Rubens Bueno, que acabou amealhando 20% dos votos, e a mais recente de Gustavo Fruet, que perdeu por décimos a eleição senatorial de Requião por ter Beto Richa colocado o peso do seu prestígio em favor de Ricardo Barros, e isso de uma forma ostensiva, como se ditada por motivações estratégicas de caráter nacional.
Desconfiança
Estamos entrando numa etapa de furor eleitoral: Beto vai provar que fez muito ainda que sem algo de porte, afora a operação da Usina de Mauá e os ajustes com as concessionárias do pedágio; Gustavo Fruet deverá ser o aliado-chave de Gleisi Hoffmann até pela notória escassez de quadros do PT local. Se saírem os empréstimos e as liberações de recursos, o governo se verá impelido a alterar o cantochão de que é perseguido pela União e apostar na empatia do postulante que se dá bem principalmente no interior, até porque perdeu eleições na capital e em Londrina.
Lamentavelmente não teremos um embate de ideias, posto que para radicalizar o discurso, o embate mais adequado para enfrentar Gleisi seria a presença do senador Alvaro Dias pelos créditos acumulados no discurso oposicionista. É que o PT, ao contrário das eleições anteriores, em que assimilou o baixo desempenho dos seus candidatos presidenciais, terá como postulante local uma figura importante do seu ministério e tentará reproduzir o feito da eleição senatorial quando levou tudo de ponta a ponta.
É hora, ao menos, de desconfiar do axioma das preferências locais, afinal tão reproduzido nas pesquisas e na exegese dos "especialistas".





