LUIZ GERALDO MAZZA
CPI não viu tudo
A CPI dos ônibus sugeriu que tinha feito um diagnóstico inteiro a respeito da situação do oligopólio que explora o sistema. Suas conclusões foram técnicas em alguns aspectos e emocionais em outros, como a ideia de que lucram demais, quando se constatou agora, nos dois últimos dias, algumas como a que não pagou a segunda parcela do décimo terceiro e levou seus trabalhadores à greve com forte conturbação no funcionamento do sistema.
Não é apenas aí que ocorre a crise, mas também nas linhas metropolitanas, cujos haveres, com a crise estadual, em que o pagamento das três folhas do funcionalismo se tornou prioridade absoluta, não teriam sido repassados com a regularidade esperada pela Comec.
Como o sistema é politicamente demonizado, não se lhe confere uma análise técnica simplesmente porque houve ruptura na relação institucional, pois não consta que anteriormente quer a Urbs quer o Tribunal de Contas tenham feito, como agora, apreciações tão críticas em torno desse serviço público. Outros casos de não pagamento do décimo terceiro por empresas que prestam serviços ao governo estadual podem aflorar a qualquer momento. Também algumas da esfera municipal estariam em situação idêntica.
Repeteco
O braço de ferro entre o Ministério Público (não apenas o Gaeco, conforme sugere o governo) e a Secretaria de Segurança prossegue no mesmo script: Cid Vasques pede medida de sustentação ao TJ que por sua vez procrastina o caso com vários desembargadores pedindo vistas no processo. O relevante é o fato de o Conselho Superior do MP, por ampla maioria de votos (apenas um deles teria beneficiado a manutenção da licença), ter apoiado a reivindicação do Gaeco, reveladora de unidade de propósitos da corporação.
Além do pleito ainda sub judice no Judiciário há outro recurso, este no âmbito do MP, contra a decisão no Órgão Especial que tem 32 integrantes, um quórum, portanto, mais diluído e que terá como relator do processo o conselheiro Domingos Thadeu Ribeiro da Fonseca em sessão dessa quinta-feira, 26, no auditório na PGJ, a partir das 13h30.
Para o governador é a última batalha do ano e se articular-se, como deveria, com a comunidade interessada, superaria o entrave, deixando porém a sequela: o Gaeco inconformado e mais disposto a investidas contra a corrupção, que é bem generosa como prática habitual, mas destituído de quadros por não concordar com o rodízio imposto.
Ação comunitária
O vereador Johny Stica acredita que, diante das dificuldades financeiras, há necessidade de autorizar a comunidade peri-escolar a organizar-se nas reformas das escolas e estruturação de áreas de esporte, recreação e cultura em troca de colocar em destaque eventuais padrinhos das melhorias como compensação.
Energia
Muito formalista a postura do presidente da Câmara Municipal da capital diante dos inúmeros marajós já listados e que constituem uma vergonha em termos de probidade. Poderia, ao menos, fazer como Ney Braga que, em situação semelhante, cortou as vantagens e deixou a questão aos cuidados do TJ. Não venceu todas, mas obteve vantagem em algumas.
Folclore
No Paraná, só decisões externas (Justiça e Polícia Federal, Tribunal de Contas da União, STF e STJ mais CNJ) abalam as instituições locais, como é exemplo o caso recente de Clayton Camargo. Se a decisão do Colégio de Procuradores favorecer o governo no conflito entre o MP e a Segurança, estará bloqueado o único órgão de resistência interna.
Balbúrdia
Um inferno o embarque e desembarque na Rodoferroviária: é Luciano Ducci 2.





