Quem tem medo do Gaeco
Todos que caem nas armadilhas do Gaeco chiam. Parte da polícia civil, por exemplo, tem dele a mesma visão que os mensaleiros guardam do presidente do STF, Joaquim Barbosa: midiático e opressivo, que não dá a ninguém o direito de defesa e assim por diante, o que fundamentalmente não é verdadeiro.
Enquanto aqui, com autorização judicial, manda prender o ex-delegado geral da polícia civil, Marcus Vinicius Michelotto, mais um delegado e dois investigadores, em Londrina descobre e denuncia chuncho de servidores da Codel em cima de empresários quanto a doações de terrenos públicos.
É verdade que a operação em Curitiba tem todas as características de uma ação retaliatória em cima do jogo de braços entre o MP e o secretário de Segurança, Cid Vasques, porque ontem seria a reunião para decidir no Conselho a manutenção ou a suspensão de sua licença, o que foi adiado em uma semana.
O governo jogou com o tempo, esperou a mudança de composição do Conselho Superior do MP, à base de demandas prolongadas no TJ que apreciava o assunto, e o Gaeco não teve dúvidas ao dar mais uma estocada profunda na polícia. Quanto mais o governo se enrola, maior aparência de que protege não a instituição policial e sim os seus quadros negativos com o episódio anterior com as lojas de autopeças e desmanches e esse agora ligado a jogos de azar e lenocínio, a história mal explicada do ataque à mansão por xerifes de capuz.
Aparências é que agridem o poder estadual, tanto aí como no episódio da designação de Fábio Camargo para o TC, enquanto o pai do beneficiário, o desembargador Clayton, facilitava o acesso do governo, exaurido em suas rendas pela prodigalidade contumaz, aos depósitos judiciais.

Venial
Para evitar que mordessem bicheiros, um governador, através de algum assessor estratégico, deixou uma conta em aberto numa agência do Banestado em favor do Provopar. Bastou isso para que tentassem sugerir que a primeira dama era a beneficiada, coisa sórdida mas apropriada à política. Para os policiais mais antigos ‘’morder’’ lojas que operam com autopeças de desmanches é um pecado venial, daí o espanto em torno da repercussão das ações do Gaeco e a prisão de vários deles e seu enquadramento criminal.

Hipótese
Diante do desgaste que Beto Richa sofre, há um segmento no PSDB que acha a saída melhor a candidatura de Alvaro Dias, pelo papel de único e verdadeiro oposicionista do Paraná, e que se tornaria ideal, caso a balança pendesse para Gleisi Hoffmann, para o embate radical entre polos adversos. Já em termos bem mornos, sem conflito, a solução Beto Richa estaria mais acorde com os padrões acomodados da praça.

PS: saio em férias e retorno dia 24.

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