LUIZ GERALDO MAZZA
Política e geografia
Geografia não é o nosso forte. Comprova-o a crise conceitual estabelecida em torno do que é uma região metropolitana, perceptível nos dois principais polos urbanos, Curitiba e Londrina. Para atender aspectos assistenciais, estímulos em programas habitacionais, são incluídos municípios distantes da área polarizada, desrespeitando-se biomas e vocações agrícolas e industriais. Como é o caso clássico da emenda que integrou Rio Negro à Região Metropolitana de Curitiba, ainda nos campos gerais, geminada com Mafra, cidade catarinense.
Há, às vezes, numa resistência por questões históricas, mais racionalidade como no caso de Castro que se recusa, por motivações que vão além do atavismo, a ficar na dependência de Ponta Grossa, capital cívica, tal qual se diz por força de uma circunstância transitória quando Getúlio Vargas por lá passou em marcha a Curitiba na consolidação da vitória revolucionária e traria, para governar o Paraná, o pontagrossense, que muitos pensavam ser gaúcho, Manoel Ribas. Na história das tropas, Ponta Grossa e Castro, como nucleações urbanas, tinham identidades específicas, a despeito do visível maior porte da Princesa dos Campos, inclusive na condição de entroncamento-chave rodoferroviário, um dos mais importantes do Brasil meridional.
A primeira doutrina
Quando o Paraná tinha um sistema de planejamento, o que obviamente hoje não acontece, e a metropolização era implantada adotou-se a de Curitiba e a Metrópole Linear do Norte que abrangia o colar de cidades entre Londrina e Maringá. Com o tempo a de Curitiba foi se estendendo e não consta que áreas deprimidas como as da Ribeira (Cerro Azul-Adrianópolis, aí incluídas outras impostas por lideranças que se cevavam na municipalização, notórios bolsões de subdesenvolvimento) tenham tido quaisquer vantagens da inclusão como seria de citar o caso de Doutor Ulysses, afora as quireras já referidas.
Como os fatores políticos se sobrepuseram aos técnicos, geológicos, até mesmo edafológicos, houve um mapa bem ao gosto dos descompromissados com a realidade e envolvidos até o pescoço em demandas de caráter paroquial. Um dos maiores riscos na metropolização é ter em mente o conflito permanente entre "centro" e "periferia" e tratar as discrepâncias como se deveria fazê-lo com os desníveis regionais e sociais. Cuidar do "centro" e deixar a "periferia" entregue à sua sorte é algo que se dá nas divisas municipais na célebre polêmica, repetitiva nos pleitos curitibanos, entre centro e bairro. Aí há uma integração, inexistente na metropolitana: a distância entre centro e periferia é vencida, física e culturalmente, pela aproximação. O que inexiste entre Curitiba e Doutor Ulysses e Londrina e Sertaneja, embora essa seja bem menos deprimida do que a análoga curitibana.
Pensar é uma raridade
Como pensar o Paraná deixou de ser uma rotina, uma preocupação constante de instituições como a área de planejamento e a do Ipardes, uma das poucas com vida efetiva assim mesmo agredida pela crise ao ponto de suprimir as pesquisas de emprego (aceitas pelo IBGE que não colocou Curitiba na área focada) que vinha mantendo desde 2003 em função do colapso financeiro. O não pensar o Brasil leva essa condicionante aos entes federativos, o empirismo é que marca o comportamento das unidades e no interior dessas, como se vê no Paraná, não há esforços dirigidos para atenuar ao menos os desequilíbrios regionais que aqui favorecem, por fatores locacionais, o eixo Curitiba-Ponta Grossa e até unidades conurbadas à capital e antes apenas destaque por ter um simulacro de hipódromo, Fazenda Rio Grande, acabam recebendo fábrica de pneus.
Houvesse uma preocupação com a unidade paranaense e quando, sob Lerner, se trouxe à Grande Curitiba as montadoras seria obrigatório pensar que tipo de assistência se prestaria aos municípios distantes e não bafejados pela malha produtiva decorrente daquele impacto. O governo prevalece em débito e isso deveria ter uma resposta política como necessidade de afirmação.





