LUIZ GERALDO MAZZA
O gozadão
Figuras clássicas dos filmes faroeste: o mocinho, a mocinha, o bandido, o cachorro, o cavalo amestrado, o amigo do mocinho, o gurizinho e, sobretudo, o gozadão. Com as cenas de invasões de índios no Alvorada, atrás de um twitter como se fosse metralhadora giratória, o senador Requião, sem deixar de mostrar alguma identificação com a causa dos silvícolas, passou a tirar sarro da ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, tida por ele como a culpada pelos conflitos da demarcação, imaginando os manifestantes levando às mãos um troféu de guerra: um escalpo loiro.
É o gozadão do nosso faroeste, mas se imagina o mocinho justiceiro. E como se diverte: tanto que apesar da eleição difícil para o Senado (talvez aí um dos motivos de sua implicância com aquela que o massacrou em votos), imagina-se pela quarta vez no Palácio Iguaçu. O gozador é ele, de inegável talento e tanto que ainda é a maior força eleitoral do PMDB Paraná; a tragédia nossa.
Convenção
O PMDB vai às suas convenções, inclusive o municipal de Curitiba, em todo o Paraná, e isso depois de sua bancada federal ter recebido o aviso do vice Michel Temer que a tese preferencial é do candidato próprio. Com os rigores da fidelidade partidária, que sanciona eventuais dissidentes, não há como evitá-los e a história do Paraná é rica nesse aspecto como se viu desde o havido na redemocratização dos anos quarenta com Lupion levando vantagens das cisões e também Munhoz da Rocha em 1950 com uma rica dissidência, majoritária, do PTB ou ainda o caso nacional, mais contemporâneo, da vitória de Maluf na convenção do PDS contra Mario Andreazza que gerou a discordância, depois transformada em sigla, do PFL que elegeria Tancredo Neves e Sarney como vice.
Será inevitável a formação de dissidências, uma com Beto Richa por adesistas, outra fingindo independência com Orlando Pessuti como anticandidato e apoiando Gleisi e outra com Requião, se é que a correlação de forças se manterá depois das convenções municipais.
Vexame
Por falta de dinheiro o Paraná não esteve no encontro da Fifa na Barra do Sauípe, Bahia, e já sofremos uma ação pelos atrasos da Arena na redução dos bilhetes em oferta. Virão outros vexames certamente como o dos atrasos nas obras de mobilidade urbana, se é que não perderemos verbas federais (PAC).
Colher de chá
Além de ter-se tornado um refém da indústria automotiva, em função de sua capacidade de gerar empregos (aí também nas revendas), o governo é forçado a novas aberturas para o setor com a inspeção veicular e a retirada das estradas de 85 mil veículos com mais de 30 anos de fabricação só no Paraná. Mais um jorro de crédito, uma vez que os donos receberiam R$ 30 mil pela sucata e teriam financiamento pelo BNDES. Com pouco mais de 50 anos da indústria, desde JK, nunca tivemos uma operação massiva de renovação como a proposta. No momento, apesar da expansão, há estoques, razão pela qual a indústria reduziu a produção.
Folclore
Ney Braga, atleticano, era oficial de dia no quartel e deixou Neno e Altevir, jogadores coxas, então soldados, liberados para o Atletiba. Resultado: coxa 2 a 1, gols dos dispensados. Há quem pense nisso nessa última rodada quando o coxa depende mais dele próprio, embora possa ser ajudado pelo Atlético.
Enxurrada
Um estrago enorme ontem à tarde na capital com vendaval e chuvas. Muitas árvores caíram e o trânsito engarrafado era quase impraticável. Felizmente a drenagem, que é deficiente, para a carga de ontem, funcionou. Houve em alguns circuitos cortes de energia que atingiram o centro e tiraram emissoras de rádio do ar.





