Não trincou, quebrou
Embora com uma catadupa de projetos como os da PPP, parcerias público privadas, mais a remissão da dívida do Badep (para alavancar a hipótese de um banco substituindo a Carteira de Fomento), dando, enfim, a impressão de extremo ativismo, o governo estadual tenta dissimular o que não consegue: o Estado, pessoa jurídica de direito público, não trincou, não sofreu fissura, está quebrado. Pode até recuperar, mas no momento está no vermelho.
A circunstância de a secretária da Fazenda, Jozélia Nogueira, ter colocado o pagamento das três folhas do funcionalismo como prioridade absoluta, e isso com o sacrifício de empreiteiras, prestadores de serviços e fornecedores, e ainda com paralisação de obras educacionais e hospitalares, de vias de acesso do PAC para a Copa (a Avenida das Torres é uma delas, outra a Avenida da Integração no Bairro Alto), todas de responsabilidade estadual, somariam um total superior a R$ 3 bi, nada menos de 10% do orçamento.
O ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, deu resposta contundente à artimanha de que a União persegue o governo estadual ao afirmar que com os demais governantes do tucanato não há esse tipo de situação porque eles mantém parcerias com o governo federal, já que possuem projetos, aqui inexistentes. E citou ainda o exemplo do pacote de mobilidade de Curitiba, inclusive o metrô, porque havia projeto competente e detalhado.
Promete-se, de outro lado, uma ofensiva fiscal contra grandes devedores, campo que há muito preocupa a secretária da Fazenda desde os tempos de suas funções na procuradoria fazendária, mas essa é questão delicadíssima já que com isso se veste um santo e se despe outro, podendo até criar atmosfera pré-recessiva com efeitos danosos para todos. A Dívida Ativa com seus R$ 10 bi é um item meramente gráfico e a experiência tem demonstrado que os Refis, duramente negociados, não atingem as expectativas desejadas.

Leitos
A intenção do Ministério Público Federal era mais generosa: pretendia o funcionamento de todos os leitos hospitalares do HC, mas foram reabertos apenas 30, o que já é um ganho diante do tamanho da crise.

Cotas
A Universidade de Ponta Grossa, pioneira no experimento das cotas, tinha decidido aboli-las depois de oito anos. Pressionada por movimentos sociais acabou recuando. Situação muito parecida com a do Conselho Universitário da Federal que teme qualquer pressão mínima de sindicalistas como se aceitável fosse esse tipo de dependência do pior dos populismos.

Moratória
Lá pelo meio das férias é que se poderá resolver a pendência entre o MP e o secretário Cid Gomes, da Segurança. Esperava-se a decisão para anteontem, mas novo pedido de vista (o terceiro, agora do desembargador Luis Carlos Xavier) adia a solução. O pior é que estão prometidas novas manifestações do Sinclapol nos distritos policiais. Conflito intersecretarial, ambos do MP.

Folclore
Quando se anunciou a chegada do Imperador (o Adriano) para o Atlético, o recém convertido rubro-negro, delegado Aprígio Cardoso (Pato Branco) fez a observação pertinente: "Já temos um imperador incontestável, o que precisamos, e urgente, é de gladiadores como os últimos jogos revelaram".

Lerner
Capa da última "Ideias", Jaime Lerner foi condecorado pela ACP e fez um discurso sobre um cacoete nacional: o da oposição ao fazer acontecer na cultura nacional. Mas há aquela frase irônica de que o pior dos idiotas é o com iniciativa, como acentua sempre Belmiro Valverde Castor Jobim.

Calma
O cartel dos ônibus esperava relatório pior da CPI: há calma nos muros das empresas e suas enormes garagens.

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