LUIZ GERALDO MAZZA
Por que a pressa?
O presidente da Assembleia, Valdir Rossoni, está defendendo uma nova eleição para o Tribunal de Contas na vaga de Fabio Camargo por quem tanto se empenharam ele e o governador e cuja lisura de procedimento sempre destacaram apesar das evidências veementes em sentido contrário. Esse açodamento é estilo de nosso parlamento, como se evidenciou nas anomalias que marcaram a eleição e derrubada de Maurício Requião e sua substituição, embora a matéria persistisse sub judice no STF, por Ivan Bonilha, opção preferencial do governador.
A jogada é simples: passa-se o apagador no quadro, ou melhor, deleta-se para que tanto o governador como o Legislativo fiquem menos expostos em função das apurações do Conselho Nacional de Justiça e do STJ que focam o tráfico de influência na eleição do TC e se libere a comissão legislativa que fiscalizou o processo das anomalias praticadas em favorecimento do candidato oficial como a da certificação de que não sofria processos criminais quando respondia a um em segundo grau por sua condição de deputado estadual.
Governo e Legislativo são suspeitos, por várias presunções processuais, de terem feito aberto tráfico de influência, com participação da presidência do Tribunal de Justiça, no preenchimento daquela vaga numa operação em que se facilitava o acesso aos depósitos judiciais depois de estabelecida a Conta Única dos recursos financeiros. Há um detalhamento gótico nessa sequência de acontecimentos de forte comprometimento aos Três Poderes, que se pretende agora camuflar com uma nova escolha de conselheiro do TC.
Ironia
Muita ironia na frase de Valdir Rossoni segundo a qual o quase ex-conselheiro do TC Fabio Camargo não poderia estar acima da justiça. E nem os deputados e muito menos o governador em todo o lamentável episódio.
HC
O peleguismo sindical na Universidade pretende ditar regras na questão de uma possível associação do Hospital de Clínicas com empresa pública. É visível que esse posicionamento subordina o Conselho Universitário que deveria colocar as razões da hierarquia, da ciência e da pesquisa acima de qualquer pressão. E agora o Ministério Público Federal impõe uma solução jurídica distante da realidade factual: a operação de todos os leitos quando é evidente a falta de recursos pessoais e financeiros para tanto. Urge logo um habeas corpus ao HC, redundante, mas didático.
Com a barriga
Quem vai empurrar a questão da tarifa dos ônibus com a barriga é Fruet para resolvê-la em fevereiro, data-chave. Óleo diesel é quase 40% do custo e um biarticulado gasta um litro por 900 metros. Vê-se por aí a distância entre a realidade e a cantilena de políticos com CPI e tudo o mais. Detalhe: deputada distrital de Brasília está indo diariamente ao Cade para ver o caso local.
A tchurma
Empresário de ônibus tem o seu dispêndio com o Imposto de Renda embutido na tarifa, deputado tem sua multa de trânsito paga pela Assembleia. O MP cobra R$ 467 mil de deputados de várias legislaturas assim beneficiados. Em tudo o sinal da ação entre amigos, o velho patrimonialismo brasileiro.
Folclore
Uma reportagem de "O Estado do Paraná", foto em primeira página, do poeta Fernando Pessoa Ferreira mostrava um disco voador em Curitiba. O repórter lançou um objeto metálico ao espaço e o fotógrafo Romário Amódio clicou. O chute driblou agências internacionais que levaram o brinquedo a sério.
Adolpho
O livro sobre Adolpho de Oliveira Franco pode ser solicitado pelo telefone (41) 3343-5139 ou e-mail [email protected]





