LUIZ GERALDO MAZZA
Não é bem assim
Segundo as pesquisas, a eleição de governador vai ser um passeio em favor de Beto Richa. Bastou a ministra Gleisi Hoffmann, proposta da oposição, pintar na cidade e o cenário ganhou novas tonalidades junto ao prefeito Gustavo Fruet. Uma energia nova tomou conta do ambiente político, pois é inegável hoje que o prefeito de Curitiba é a grande expressão eleitoral da Região Metropolitana e recria condições para uma reprise do havido na eleição municipal. Além de tudo está agindo e pondo à mostra as capitanias donatárias da Capital decorrentes de anos sequenciais de gestões no mesmo alinhamento e isso desde o período de Requião, derradeira presença de oposição, retomada agora como no caso do ICI-Datapron enfrentado no ritmo conveniente e também na questão dos ônibus.
Mas enquanto as coisas melhoram para a oposição, o governo fica acuado em questões como as decorrentes da devassa no Judiciário por obra e graça do STJ e CNJ, afastamento de Clayton Camargo do TJ e agora do seu filho, Fabio, do TC, porque o alinhamento oficial é prejudicado pelas presunções jurídicas daí decorrentes.
E as coisas não param agora com o reajuste do pedágio e a manutenção do sigilo que cerca a negociação produtiva, mas desconhecida porque não temos transparência, do acerto com as consorciadas nas obras novas como as de duplicações ao sul e a oeste. O momento não é bom para o governo, ainda que tenha festejado a agenda completa de visitas aos 399 municípios em Nova Aurora num feito que não oculta a grave e delicada situação em que deixou as finanças estaduais. Se é original nessa visita a todas as cidades o é também nessa do cenário aparentemente de quebra, visível apenas no século passado com Lupion.
Transparência
O acidente havido ontem na Refinaria de Araucária foi conhecido pelo fato de o sindicato petroleiro ter procedido a comunicação. O caso é grave porque o IAP, Instituto Ambiental do Paraná, não havia sido informado e só agiu ante o noticiário e faz as avaliações dos seus efeitos no entorno principalmente da bacia hidrográfica do Iguaçu, atingida provavelmente pelo óleo no Barigui como da vez anterior.
O crivo
É normal que pareceres técnicos, feitos por sua retaguarda, sejam filtrados e por vezes pasteurizados pelo plenário do Tribunal de Contas. A carga sobre a Urbs e os contratos, embora não acusando fraude, é veemente e isso vai passar pelo colegiado, no qual provavelmente o conselheiro Ivan Bonilha se verá obrigado a invocar suspeição já que foi o orientador da licitação do sistema como procurador do município.
Emocionalismo
Há apesar de todos os cuidados no parecer da CPI dos ônibus um dominante tom emocional quanto ao enquadramento de Marcos Isfer e Fernando Ghignone e agora, mais ainda, com a tentativa de responsabilizar Beto Richa, então prefeito. A preocupação maior dos vereadores foi a de baixar a tarifa a menos do que o sugerido pelo TC. Quem sempre foi contido (e em grande parte comprometido) com o sistema e se sente solto, pela vez primeira, pode e tem tudo para exagerar.
Folclore
Coincidência enorme o fato de os trabalhadores em hotéis fazerem greve justamente depois que o Zé Dirceu passou a integrar a categoria que pelo salário
(R$ 20 mil), na luta de classes, esnobou Marx e ficou com patrões.
Licitação
Está marcada para janeiro a licitação das linhas metropolitanas de ônibus, responsabilidade estadual. Como a anterior, a municipal, feita em momento inadequado, ano eleitoral. Governos de variada origem se lixam quanto ao aspecto ético de fazer isso perto do momento de montar caixa para a campanha.





