LUIZ GERALDO MAZZA
Erro de cálculo
Em primeiro lugar houve a promessa solene de que a Copa do Mundo não usaria dinheiro público e que o amplo retorno (autoestima, volume de negócios, obras de mobilidade, correntes turísticas) compensaria eventuais dispêndios no campo governamental. O que estamos vendo é que em menos de dois anos a alta nas obras, somente dos estádios, já chega a quase R$ 1 bi.
Aqui na Arena da Baixada, apesar do propalado rigor de comissões e do Tribunal de Contas, a obra estimada em R$ 234,1 milhões teve reajuste de 40% passando a R$ 326,7 milhões. A avaliação original, imaginem quanta farsa, era de R$ 184,6 milhões. Como o cronograma está perturbado com uma previsão de conclusão para março de 2014 ninguém tem certeza e segurança de coisa alguma e a perspectiva de um vexame está nos cálculos da Fifa.
Na África do Sul o retorno não foi o esperado, embora o sucesso formal da competição: a resposta turística não se confirmou, os estádios ficaram abandonados pela circunstância de o futebol ser preferência dos mais pobres e os campeonatos têm sido disputados nas centrais de treinamento pelo alto custo de fazê-los funcionar, como se dá em qualquer lugar do mundo.
À maneira de um condutor de auditório e surfando num ciclo bom da economia, Lula comandava o espetáculo tanto pela sediação da Copa quanto pelos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. A maré hoje não é a mesma, a economia se arrasta num quadro pré-recessivo com o governo tentando driblar a hidra inflacionária com recursos artificiais como o de não reajustar os combustíveis ainda que ameaçando quebrar a Petrobras. Se ganharmos a Copa a anestesia será geral.
Emulação
Há quem não goste, mas estão certos os londrinenses que mostram suas perdas em relação a investimentos privados e mais ainda relativamente ao melhor desempenho de Maringá na geração de empregos e tributos. Detalhe visível: Londrina começa a perder o confronto a partir de 2011, início da gestão Richa, esperança por tratar-se de um londrinense da gema e que tinha em Luiz Carlos Hauly, o nome mais importante e estratégico do secretariado, um dos culpados pela má gestão financeira e também originário da microrregião.
Raio duplo
Dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, mas em Campo Largo onde o excesso de presos nas cadeias levou à morte um superintendente numa escolta alguns condenados brincavam ontem no facebook com seus telefones celulares. Assim mesmo foi preciso denúncia para que o Cope interviesse. Em lugar para 30 presos havia 100, situação claramente inadministrável.
Folclore
Dilmicha, soma de Dilma e Beto Richa, é a solução eleitoral do PTB por obras e artes de seu presidente, Alex Canziani, e da maioria. Micha, em linguagem policial, é chave fajuta para abrir a porta alheia. Pega melhor do que Dilbicha, ainda mais na semântica eleitoral. Haja oportunismo.
Estratégia
A transformação do Porto de autarquia em empresa pública, a essa altura do campeonato, é prova de falta de estratégia justamente quando a União busca adequá-los a uma abertura para a iniciativa privada.





