LUIZ GERALDO MAZZA
O Ducci 2
Ducce foi Requião derivado das artes de Benito Mussolini, já o Ducci foi o vice de Beto Richa na prefeitura da Capital e como prefeito regra três derrotado na última eleição. Dentre as características assemelhadas, de um e outro, há uma de traço marcante: fazer obras demais e tão pulverizadas que depois não existe forma de acabá-las.
Com o sinal de emergência, para levantar grana e fechar as três folhas do funcionalismo, ficaram visíveis não apenas os compromissos não cumpridos e até anedóticos como contas de telefone, conserto de automóveis e não pagamento de faturas de fornecedores e prestadores de serviços. E também as obras, muitas delas importantes na área da saúde e educação, abandonadas ao meio por falta de pagamento, desistência ou quebra de empreiteiras.
Tudo muito parecido com a herança deixada por Ducci para Gustavo Fruet e que o obrigou a lançar mão da moratória, motivada até pelo emprego de recursos sem cobertura orçamentária. Como Beto Richa tem tudo para vencer as eleições, apesar da intenção de Requião em alijá-lo, essa vez se obrigará a detalhar as razões da herança por ele próprio gerada, o que nada tem de teatro do absurdo, à moda de Ionesco e Becket, numa área em que condenados do mensalão posam de presos políticos, e ainda repetindo o chavão de que o culpado de tudo foi a presidente, o estribilho preventivo para dissimular a responsabilidade de traço pessoal inequívoco.
Clínicas
O Hospital de Clínicas, o mais importante do Paraná, vai ter greve de novo e isso porque os sindicalistas supõem que membros do Conselho Universitário poderiam estar mudando de opinião quanto a aderir à empresa pública de apoio aos hospitais. A universidade brasileira está minada pelo populismo sindical que com o seu horizontalismo acaba com a hierarquia, elemento indispensável na busca do conhecimento e da pesquisa. É suspeita a sincronia sistemática entre o Conselho e a aspiração sindical, sustentada em cima de greves sequenciais. Nem o baixo desempenho universitário, demonstrado em avaliações, é suficiente para o alertamento, glória do baixo clero. Perde-se a perspectiva da função do hospital suprarregional atendendo todo interior, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul em cima de subjetivismos questionáveis.
Sobe desce
Enquanto o número de assassinatos na capital por mil habitantes alcança o seu menor índice (25) em seis anos, a mortalidade no trânsito no Paraná entre 2001-2011 subiu de 2.501 para 3.365 (34.5) bem acima dos números de catarinenses (28.2) e do Rio Grande do Sul (16.9).
Eficiência
Surpreendente o desempenho nos últimos dias da polícia, isso sem falar nas melhoras estatísticas referidas. Dá impressão de mutirão para manter Cid Vasques no posto em que é contestado pelo MP, o que é bem mais consistente do que votos e mensagens de apoio.
Folclore
Um romaria em barco segue pelo Canal do Varadouro em direção a Iguape, SP, e no meio da viagem uma tormenta. Uma senhora desesperada invoca Nosso Senhor Jesus do Iguape como se sua presença tudo encerrasse. Aí o Alberto Veiga, nervoso e sem perder o humor, adverte que a nau superlotada não comporta mais ninguém, muito menos o santo.
Pobreza
Pelo jeito os polarizadores da campanha eleitoral, Beto Richa e Gleisi, vão ficar o tempo todo trocando acusações sobre a situação fiscal do Paraná. Se Requião for a terceira via mandará bala em Beto como autor da quebra e aí o fiel da balança pode pender em favor do melhor argumentador. O que dará um teor de extrema pobreza intelectual ao debate.
Caravanas
Pode haver muito carro fora de combate em oficinas (e que o governo não retira porque não paga), mas nas caravanas do governador ao interior não faltam automóveis para o oba-oba.





