Vitimalismo na pauta
Inevitável o tom melodramático dos mensaleiros na hora de sua prisão, algo como se vivêssemos sob uma ditadura como a de 1964. Aliás muitos deles se postam com um sinal épico de pessoas só com créditos e jamais débitos - e graves como os copiosos atos de desvios de recursos públicos para a sustentação da aliança "restauradora" - que drenam para um velho cacoete nacional, o do vitimalismo.
Como não se podem declarar vítimas dos militares atribuem às incorrigíveis elites brasileiras, ainda inconformadas com o ciclo de Lula-Dilma "voltado para a libertação do povo", a sua condenação e não a um Judiciário composto por maioria de membros designada pelo oficialismo. Não é, como facilmente se percebe, um momento para contenção, mas para a mais esparramada retórica com a maioria dos réus, com o halo de heróis guerreiros, tentando viver o martírio da injustiça.
De outro lado também a retórica é inevitável, sugerindo-se que agora sim estamos restaurando algo que nunca tivemos, a república, pela certeza de que a impunidade foi varrida do mapa, o que é um exagero. Aliás um dos maiores vícios do regime, o patrimonialismo, que nega a república, permeia o processo que há tantos anos nos atormenta. O contubérnio entre o público-privado, que se observa aí e também no caso do mensalão de Minas e dos chunchos dos trens e metrôs de São Paulo, reclama correção urgente. A expressão de espanto do tucanato paulista, da honestidade formal e meio pegajosa ofendida, é prova de que ainda estamos longe do desejado encaixe cívico-democrático.

Protagonismo
No episódio mensalão o Paraná se mostrou forte e perseverante: do lado da lei com seus deputados federais Gustavo Fruet e Osmar Serraglio, este como relator, sem esquecer o procurador da República que detonou o processo e de outro lado da cerca o bancário Henrique Pizzolato, catarinense de origem mas que fez carreira política no Paraná. Pizzolato presidiu a Cut e foi diretor do fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, Previ, e diretor de marketing. Sua atuação em Toledo o credenciou a ser candidato a governador em 1990. Condenado a 12 anos e sete meses fugiu para a Itália e a sua extradição é nada fácil. Outros paranaenses como Borba e Palmieri também figuraram na novela em papéis mais discretos.

Vagas
A Agência do Trabalhador está anunciando a existência de 5 mil vagas (e que não são transitórias como as comuns à essa época do ano) em comércio e serviços. Prova evidente da dinâmica de nossa economia, apesar de todos os sinais de crise e o temor da inflação.

Menores
A apreensão pela polícia de dois adolescentes numa gangue especializada em roubo de carros de luxo deu margem a reflexões sobre a idade penal que é retomada a cada acontecimento. Ainda mais quando a presença de crianças e adolescentes inimputáveis servem de "escudo" ao crime organizado.

Folclore
Sábado, na Itália, o vulcão Etna entrou em erupção novamente. Em 1992 quando entrou em atividade bem mais forte nos muros do norte do país a sentença "Forza, Etna!". E lá não existe o movimento "o sul é o meu país", apesar da provocação setentrional.

Silêncio
Estranho, para dizer o mínimo, o silêncio do pessoal da Embrapa (a quem o agronegócio do Brasil deve o que é) com o projeto do Contorno Norte de Curitiba que ameaça a sua floresta de 300 hectares em Colombo de ser cortada ao meio. O pior é que não houve consulta e o pessoal da Comec parece não ter a noção do que é a Embrapa Florestas para o país. Também essa conspiração do silêncio impede que a Agência Nacional de Transportes Terrestres tenha noção do "custo benefício" da intervenção rodoviária.

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