LUIZ GERALDO MAZZA
Mudanças de opereta
Quem acredita que a sucessão no Paraná está resolvida é, antes de tudo, um mal informado, até por crer em aparências como a das pesquisas. Aliás há uma esperança de ruptura em cima do monopólio da área, via Ibope, com a união das tevês concorrentes à Globo em contratar organização europeia disposta a apostar no mercado especialmente de audiência. É visível um sentido quase de paranoia nessa questão e que tem a virtude de colocar em debate um fenômeno dado com ratificador do predomínio da audiência.
Mesmo os militares, quando no poder, andaram se preocupando com a questão e buscaram criar estímulos para a concorrência que se acentuaria com a tv paga e desde o ingresso do PT no poder há o discurso monocórdio, mal formulado e bem pelego, do controle "social" da mídia. O fato é que as mudanças ocorrem ainda que não no ritmo desejável, o que é um rito à brasileira aplicável às nossas revoluções das de 30, 34, 37 até a de 1964. Tivemos democracia em esteadas como as de 1946 até 1964 e agora o período que estamos vivenciando, insuficiente não apenas para consolidar a democracia como no de restaurar a República que nunca tivemos.
Uma evidência chocante
Na polarização atual das forças políticas do Paraná dá para perceber o quanto somos atrasados: o senador Roberto Requião (não fosse a omissão de Beto Richa que preteriu Gustavo Fruet em favor de Ricardo Barros na eleição da Câmara Alta) estaria no ostracismo quando ainda é um peso considerável na perspectiva eleitoral por mais que acuado pelos adesistas no PMDB. Carregado às costas por José Richa na eleição a prefeito da Capital não teve o menor constrangimento em afastá-lo do segundo turno em sucessão governamental com a acusação da aposentadoria e na disputa com José Carlos Martinez valeu-se do estelionato do Ferreirinha. Os irmãos Dias foram elementos-chave na conspirata. Os aliados de ontem, dentre eles Luiz Claudio Romanelli, estão em trincheiras adversas.
Pois apesar desse traço desagregador, que é dominante em Requião, ainda é capaz de unir forças e ameaçar, por sua participação, o resultado do pleito de 2014 e o confronto entre a sua figura e personalidade e os que se postam como adversários no PMDB chega a ser ridículo em termos de talento e energia. Mas isso prova a fraqueza de nossos quadros: com toda a soma de defeitos obteve um feito que nem estadistas como Munhoz da Rocha ou Ney Braga conseguiram ao governar
O Paraná por três períodos.
O fato de ainda ter todo esse potencial mostra que ele, um desprezador da alteridade, da existência do outro, é mais habilitado que a maioria, o que sob qualquer aspecto é lastimável para o conjunto dessa fauna tão variada. Isso explica a nossa pobreza de quadros e visível na circunstância que desde 1982 se candidatam ao governo Requião, os irmãos Dias, Lerner, pai e filho Richa. Até parece o nordeste que tanto criticamos na identificação de feudos e de oligarquias como se afinal não as tivéssemos também e às vezes um tanto quanto pasteurizadas o que não lhes reduz o potencial negativo.
O triângulo
Embora mais uma vez sugerindo a sua candidatura presidencial no PMDB, que sabe inviável por todos os motivos e menos por sua ogeriza ao fisiologismo, sempre decantada todavia distante da realidade, tenta cantar de galo na sucessão ao apontar Beto Richa como o quebrador do Paraná como se ele não tivesse copiosa participação no processo através da resistência ao saneamento do Banestado, à má gestão previdenciária e o completo isolamento a investidores nacionais ou estrangeiros que aqui poderiam atuar, na agressão a multinacionais como a El Paso que poderia nos conduzir a uma indenização de US$ 2 bi que detonariam a Copel e o cerco feito contra a Syngenta em cima de um populismo rasteiro com tonalidades bolivarianas. Na verdade Requião não é forte, os outros é que são fracos.





