Sem projetos
O Paraná sempre reclamou da ausência da União, isso é quanto à falta de reciprocidade de sua contribuição. Mas se tinha razão quando falava na perda de áreas para as hidrelétricas, o fato é que não se limitava à choradeira e tomava iniciativas e tanto que nunca deixou de acompanhar o nível de atuação federal com obras de porte na infraestrutura da economia em rodovias, portos, ferrovias e com uma colaboração fortíssima em energia.
Qual a iniciativa, qual a proposta que o Paraná apresentou a não ser que provocado como naquela questão da diretriz rodo-ferroviária-portuária? A falta de quadros é gritante, estamos nos batendo na construção do modelo portuário e aí, como em qualquer outro ponto, nos saímos mal ou fortemente contestados...
A ministra Gleisi Hoffmann, da Casa Civil, tem razão quando ataca essa deserção por ausência de projetos. Viu-se, aliás, no caso da mobilidade urbana, que a equipe municipal de Gustavo Fruet levou vantagem sobre a proposta anterior do metrô, tão incompetente que não havia previsão no projeto de espaço específico para o material escavado e o que se faria com ele.
A verdade é que não temos propostas, embora evidências fortes como a da participação da União no ensino superior de 39,92%, enquanto os gaúchos desfrutam um apoio de 97,35%. Falta de expressão, de estudo, de reflexão e de presença nacional. Não custa lembrar que tivemos três ministros da Educação e três da Saúde que nada fizeram para reverter esse quadro.

Lerner, o último
Dos últimos governos dá para lembrar apenas o de Lerner que trouxe montadoras rompendo aquela condição de economia de complementariedade à de São Paulo e de ter rompido a inércia da própria União com os anéis de integração do pedágio.
Obra estruturante foi a de Requião no trecho ferroviário entre Guarapuava a Cascavel mas inútil na ligação entre fontes produtoras e os portos com dispêndio de mais de US$ 350 milhões. A forma de ocupar esse feito até hoje é um drama no conjunto de nossa economia: dela não escapa a noção de desperdício e de quase inutilidade operacional.

Requião presidente
Tuitando, sozinho, Requião é mais forte eleitoralmente do que a guarda pretoriana pró Beto Richa. Agora lança o factóide de presidenciável, com o que provoca a direção fisiológica do PMDB nacional e mexe, à distância, com os adesistas da província. Diante dele adversários lembram, aqui no Paraná, uma espécie de Exército Brancaleone. Além do talento, falta-lhes força, energia.

Cabos
Vencido o prazo dado às operadoras de telefonia, tv a cabo para a retirada dos cabos abandonados nas ruas, a prefeitura da Capital entra na fase das autuações e das multas às infratoras.

Folclore
Requião deve a Beto Richa (por ter optado preferencialmente por Ricardo Barros no Senado em detrimento a Fruet pelo PSDB) a sua continuidade na carreira política. Elegeu-se no olho mecânico e agora é ameaça, a um só tempo, aos candidatos polarizadores da campanha eleitoral.

Estoque
Curitiba tem um estoque imobiliário de quatro mil unidades, suficiente para a demanda de um quadriênio. Se isso não é bolha é um calo. A baixa em 8% nos preços não reequilibrou o mercado. Há apartamento de R$ 17 milhões por andar, indiscreto charme da nossa burguesia.

Esperança
José Serra tem razão de vir ao Paraná: aqui dispara à frente de Aécio, como se nota em qualquer pesquisa eleitoral. Daí a frequência das visitas. Não é bom o clima para o governador, tido como maior eleitor.

Renda
Uma das coisas surpreendentes da planilha dos coletivos da Capital é o fato de nele incluírem o Imposto de Renda dos proprietários. Além de pagar 3% do fundo social (total da folha) ao Sindimoc, mais essa.

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