LUIZ GERALDO MAZZA
Politizando o ócio
Há muito tempo órgãos de controle como a STN, Secretaria do Tesouro Nacional, vem alertando o Paraná sobre a transgressão contumaz com gastos de pessoal à Lei de Responsabilidade Fiscal. Dezenas de cartões amarelos serviram de advertência, mas como aí não prevalece a regra do futebol quanto ao limite do alerta não houve a sua transformação em vermelho.
Como as acrobacias estaduais, a mais recente a opereta ridícula do corte dos mil cargos em comissão, não funcionam vale-se o poder do velho refrão de que se trata de perseguição sistêmica da União. As evidências de burla na lista de convênios são insuficientes para convencer pedagogicamente aos políticos que só a mudança de comportamento pode tirar-nos desse constrangimento. De nós e de outras unidades federativas também infringentes não apenas nesses casos, mas ainda no específico dos precatórios.
Tratar com órgãos estamentários como a STN não é como se acertar com o Poder Judiciário no acesso aos depósitos judiciais, que estava no bojo da manobra que escolheu o último conselheiro do Tribunal de Contas, matéria presumida e em exame no CNJ e no STJ. Questionamentos dessa ordem são essencialmente técnicos em cima de números e documentos, fora do toma cá dá lá das ações políticas, do jeitinho em cima de cochichos e do peso da sedução.
Percebe-se o intento de levar adiante a ideia de conspiração da União para que à falta de qualquer ideia-força para o embate eleitoral se aponte esse pecado como a causa dos males a que o Paraná está condenado. A preocupação não é em acertar-se, em enquadrar-se, mas no reeleger-se e para isso vale tudo. E até brincar de Goebels procurando pela repetição da mentira transfigurá-la em acusação candente contra os nossos opressores, que nos cobram seriedade com o bem público.
Impositivo
A submissão histórica do Legislativo é mais uma vez colocada em xeque com o modismo do orçamento (isso é das emendas parlamentares) impositivo. A tropa de choque chapa branca se esforça para conter os rebelados e livrar Beto Richa de mais essa. A submissão assume aqui a dimensão de sublime. Daí a sublimação.
Vulgarização
Inconformados com a decisão judicial que proibiu o feriado da "Consciência Negra" estariam dispostos a acionar o CNJ como instância recursal. O CNJ, dada a relevância que ganhou (ainda agora derrubou a cúpula do Judiciário baiano) como órgão de controle externo não pode ser alvo desse equívoco que atropela a hierarquia e ao mesmo tempo se vulgariza.
Esquentou
Continua ruim o panorama sucessório, mas agora ganhou animação: Osmar Dias sairia pelo PDT para o Senado, segundo Lupi, presidente do PDT em visita ontem ao Legislativo estadual. Minaria um dos suportes da candidatura de Beto Richa, o senador Alvaro Dias. No Brasil é assim: quanto menor a credibilidade do dirigente, maior força tem. Caso do dirigente pedetista.
Folclore
O Couto Pereira está sob aguaceiro e o sistema de drenagem não consegue operar. O narrador vê a situação e consulta o comentarista Raul Mazza que dá o recado: "agora ganha quem estiver a favor da correnteza!".
Pedalando
Pretende-se uma reserva de 5% da pista de rolamento das ruas a ciclofaixa.
Natal
Previsão nacional de lojistas é de aumento de 4% nas vendas de Natal em relação ao ano passado. Já a Associação Comercial prevê aqui 8%.
CPI
CPI dos ônibus fecha trabalhos dia 26. Mais importante que ela as auditagens da própria Urbs e do Tribunal de Contas por efeitos aparentemente práticos.





